Acervo do 'Estado' na web reaviva lembranças

Leitores se deliciam com facilidade de resgatar fatos históricos com um clique

CLEY SCHOLZ, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2012 | 03h06

  Desde a última quarta-feira, quando o Estado lançou na internet a íntegra de seu acervo de jornais publicados desde 1875, milhares de leitores puderam navegar nas páginas da história em busca de fatos históricos ou mesmo de episódios curiosos. As notícias, compartilhadas e comentadas na internet, reavivaram lembranças e emoções e despertaram debates sobre os mais variados temas.

"Eu me lembro muito bem como se fosse hoje, minha mãe chorando emocionada em frente à TV durante as notícias", comentou na página do Estado no Facebook a leitora Heloisa Herrea, sobre a notícia da queda do Muro de Berlim, manchete do jornal no dia 11 de novembro de 1989.

Do interior de São Paulo, a aposentada Maria Augusta Da Silva Valário, de 73 anos, escreveu para o jornal para contar que a digitalização permitiu a ela reviver um fato muito marcante na sua infância, a condenação à morte, em 1951, do casal Julius e Ethel Rosenberg, executados na cadeira elétrica em junho de 1953 nos Estados Unidos, onde foram acusados de espionagem em favor da extinta União Soviética. Ela contou que o pai era leitor assíduo e assinante do jornal, que era lido diariamente pela família. "Eu buscava o jornal no correio, e muitas notícias ficaram gravadas na minha memória de criança e adolescente."

A facilidade de buscar palavras no acervo permite hoje a qualquer leitor saber que aquela condenação motivou grande mobilização até mesmo no Brasil e, mais tarde, em junho de 1978, o Estado trouxe a notícia de uma indenização de US$ 3,8 milhões pagos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos aos filhos do casal Rosenberg.

A leitora Ecilla Bezerra, de Peruíbe, contou que está pesquisando no acervo uma parte muito importante das suas memórias dos anos 60. "Na época, eu dirigi a peça de teatro O Noviço, de Martins Pena, e vários trechos foram vetados pela censura", lembra ela. "Eu troquei muitas cartas com o diretor da sucursal do Estado em Brasília, mas perdi todas elas quando me mudei para o litoral e agora posso me reencontrar na internet com essa parte da minha história."

O colunista Ethevaldo Siqueira, que escreve para o Estado desde 1970, conta que recebeu centenas de telefonemas de parentes e amigos nos últimos dias depois que o Estado publicou, no suplemento especial sobre o Acervo Estadão, na quinta-feira, a história de como o seu pai conheceu a sua mãe em 1930, graças ao anúncio publicado nos Classificados. O anúncio oferecia vaga de governanta em uma fazenda na região de Campinas, onde o pai de Ethevaldo, viúvo, precisava de ajuda para criar quatro filhos pequenos. O fazendeiro acabou casando com a babá, filha dos caseiros contratados, como conta Ethevaldo no artigo intitulado "Só existo graças a um anúncio do Estadão".

"O acervo é fantástico e vai representar uma grande facilidade para os historiadores e estudantes, mas também para qualquer pessoa que se interesse por história", diz o colunista. "O que achei mais interessante até agora foi descobrir o primeiro anúncio de um telefone, publicado em 1878, apenas dois anos depois de o inventor Graham Bell ter apresentado o aparelho a d. Pedro nos EUA, no centenário da independência americana."

Historiadores. "O jornal é uma fonte muito rica de informações sobre qualquer tema, por isso mesmo exige um foco muito preciso dos historiadores na hora de fazer a pesquisa, pois a variedade de informações atrai facilmente a atenção em qualquer página folheada", comenta o historiador Elias Thomé Saliba, professor de teoria da história na USP. "A busca no computador representa um avanço incrível, pois evita perda de tempo que antigamente era inevitável na hora de se deslocar até a biblioteca para procurar os volumes encadernados", comenta ele.

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