Acervo tem 1,1 milhão de fichas do Dops. Até a do papa João Paulo II

Entre o material procurado por pesquisadores para consulta no acervo do Arquivo Público do Estado estão as cerca de 1,1 milhão de fichas do Departamento de Ordem Pública e Social (Dops), órgão destinado a controlar e reprimir movimentos contrários ao regime militar - e que fichou até o papa João Paulo II, quando ele esteve no Brasil em 1982 (está lá, sob o nome Segundo, João Paulo, conforme grafaram agentes do Dops). "Atrai pesquisadores e curiosos", conta Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo. "Cansei de ver gente vir até aqui para procurar sua própria ficha, para saber o que o regime apontava."

, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

Também há livros de registro que contam a história de todas as vilas da capitania de São Paulo entre 1765 e 1850, listadas domicílio a domicílio. "É um registro único no País."

Numa tarde da semana passada, a aposentada Maria Lucia Ney, de 71 anos, esteve no Arquivo para "se informar sobre o mundo". "Gosto daqui, mas uma reforma cairá bem, para dar mais conforto a quem pesquisa e conservar melhor os documentos", conta. "Visitar o arquivo é uma boa maneira de mostrar aos jovens a importância de conhecer sua história. Dá até uma maior noção de cidadania e respeito ao que passou."

Periódicos do passado - incluindo toda a coleção fotográfica dos jornais Última Hora e Diários Associados, adquiridos em 2007 - também estão entre os itens procurados no Arquivo Público do Estado. As revistas e os jornais foram digitalizados e estão disponíveis na internet no site www.arquivoestado.sp.gov.br. Além disso, as fichas do Dops foram divididas em temas (por nome de sindicato, de entidade estudantil, de evento), digitalizadas e também estão na internet como parte do Projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional. Também estão disponíveis no site do órgão ou em www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br.

Para cidadãos interessados em conseguir cidadania estrangeira, em dezembro, o Arquivo vai colocar na internet cerca de 40 mil páginas de documentos dos núcleos coloniais do Estado, que ajudarão a comprovar a origem das famílias de imigrantes. V.H.B.

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