Achavam que ele estava louco

Josko Gravner vinificava normalmente: seus vinhos eram aromáticos, límpidos e premiados. Em 1987, ele foi à Califórnia, provou mais de mil vinhos e ficou frustrado com a homogeneidade dos rótulos. Voltou ao Friuli, na Itália, e concluiu que a resposta a seu inconformismo não estava no Novo Mundo, onde produzem o fermentado há poucas décadas, mas no Velho, no berço da bebida, a Geórgia. Gravner esperou o fim dos conflitos separatistas da União Soviética e, em maio de 2000, finalmente, conseguiu fazer sua primeira visita aos vinhedos georgianos. Ao provar o primeiro vinho em ânfora, teve a certeza de que esse seria seu caminho. Mercado e críticos achavam que ele tinha enlouquecido.

Marcel Miwa, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2014 | 02h07

Nas palavras de Gravner, a ânfora funciona como um amplificador, para o bem e para o mal - ressalta qualidades, é verdade, mas também sublinha defeitos. Ou seja, uvas com algum desequilíbrio terão seus defeitos acentuados.

Defensor e praticante da biodinâmica, Gravner segue filosofia desenvolvida por Rudolph Steiner para cultivar as variedades locais Ribolla Gialla, Friuliano (antigo Tokay), Pinot Grigio e Riesling Itálico, que dão vinhos equilibrados, mesmo com macerações tão longas (até 7 meses de contato com as cascas).

Sobre a excentricidade do vinho laranja, Gravner diz: "Julgar um vinho pela cor é como julgar uma pessoa pela sua cor. O importante é o que está dentro".

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