Acidente do Metrô era imprevisível, sustenta Via Amarela

O consórcio Via Amarela, responsável pelas obras da Estação Pinheiros do Metrô de São Paulo que desabaram em janeiro do ano passado - e deixou sete mortos -, divulgou relatório hoje sustentando que as causas do acidente eram imprevisíveis. O documento de mais de 800 páginas contesta onze afirmações consideradas "inconsistentes" do laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), encaminhado no mês passado ao Ministério Público (MP), que acompanha o caso.Os especialistas contratados pelo consórcio, composto pelas construtoras Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, atribuem o acidente a fatores geológicos "peculiares e inusitados", "somados à imprevisibilidade". Segundo o relatório, "o colapso repentino das estruturas reforça o caráter abrupto e imprevisível da ocorrência". Eles afirmam que o projeto da estação foi seguido e que alterações na forma de construir o túnel foram insignificantes.No relatório, os técnicos negam que a colocação de 340 tirantes na véspera do acidente tenha sido feita por emergência ou contribuído para o desabamento. "Caso se verificasse emergência, as medidas claramente seriam outras", informam. Segundo eles, as perfurações para colocação dos tirantes têm 4,4 centímetros e não poderiam afetar as condições de suporte da obra.O relatório descarta ainda falhas no plano de segurança da obra ou descuido nas detonações feitas no dia do acidente. De acordo com o consórcio, a situação foi monitorada duas vezes no dia. De manhã não houve registro de "anomalias graves". Já a segunda medição aconteceu pouco antes do acidente, mas seus resultados só foram conhecidos depois do desabamento, e, portanto, não poderiam ser usados como alerta, como sugeriu o IPT.Eles contestam ainda a afirmação do IPT de que uma coluna de água acima do revestimento do túnel contribuiu para o acidente. Para o IPT a água precisaria ser drenada, mas, para o consórcio, a água exercia uma pressão "desprezível" sobre o túnel.SoloPara os técnicos, a presença de rochas duras sobre o centro do túnel e de rochas mais frágeis sobre as laterais prejudicou o processo de arqueamento do túnel, o que teria colaborado para o acidente. Segundo o relatório, em "condições normais", o túnel poderia sustentar a camada de solo acima dele.A presença de dois minerais, a biotita, de fácil fragmentação, e a metabásica, frágil e mole, também teria contribuído para o desabamento. A existência desses materiais e a falta de arqueamento do maciço não constavam em nenhum estudo geológico. Segundo os técnicos, o consórcio fez 20 sondagens do terreno, mas não identificou os "fatores geológicos imprevisíveis".

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