Acidente expõe raiva da classe média com Lula, diz brasilianista

Opinião é do analista Riordan Roett, da John Hopkins University, de Washington.

Bruno Garcez, BBC

19 Julho 2007 | 05h42

O acidente com o Airbus da TAM em São Paulo poderá inflamar tensões sociais no Brasil, na avaliação do cientista político Riordan Roett, diretor do Departamento de Estudos Latino-Americanos da John Hopkins University, de Washington. ''''Este acidente poderá marcar uma virada para a presidência de Lula. Não há dúvidas de que há raiva entre a classe média com o presidente. Uma sensação de crescente frustração entre os que lêem jornal e voam de avião'''', afirma. Uma recente manifestação desse sentimento, diz o analista, foi a estrondosa vaia sofrida pelo presidente no Maracanã, na abertura dos Jogos Panamericanos, que partiu daqueles que ''''que pagaram ingressos caros para estar lá''''. O acidente, no entender de Roett, reforça entre este segmento da população a impressão de que o governo é inoperante e demonstra pouco caso em relação a temas que a afligem. ''''A classe médida do Sudeste, que votou em Geraldo Alckmin, está cada vez mais dando sinais de sua frustração com Lula. Eles têm uma sensação de que o presidente e o PT não se importam com eles e que o governo é inoperante e incapaz de combater a corrupção.'''' Por outro lado, afirma, ''''quem não costuma viajar de avião ou comprar ingressos caros para eventos esportivos segue dando forte apoio a Lula. No Nordeste, ele ainda é popular, especialmente entre os que dependem de programas assistenciais como o Bolsa Família'''', comenta. Mesmo vislumbrando uma possível ampliação da atual divisão sul-norte no que diz respeito à popularidade de Lula, o analista não crê que essa disparidade possar ganhar os contornos de um choque social semelhante às tensões vividas em outros países sul-americanos. ''''Não haverá confrontações, como na Bolívia ou na Venezuela. A classe média vai seguir demonstrando o seu descontentamento, mas dentro da lei e da Constituição'''', prevê. O impacto sobre Lula também não é algo que possa ser medido de forma imediata, de acordo com ele. ''''É um desgaste que cresce aos poucos. Não haverá nenhum teste de popularidade a ser cumprido no curto prazo. As eleições municipais só acontecerão dentro de quase dois anos. E os índices de Lula nas pesquisas seguem elevados.'''' No entender de Roett, o acidente com o Airbus não deverá mudar a postura do governo Lula. ''''Brasília está mergulhada em uma série de grandes escândalos. Esta tragédia provavelmente ganhará o quarto ou quinto lugar em termos de prioridade. Lula deverá seguir adotando reformas cosméticas.'''' BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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