Ações caem e Japão estuda comprar mais papéis

O governo do Japão estuda expandir a compra de ações e adotar outras medidas para apoiar o mercado, disse nesta terça-feira o ministro das Finanças, Kaoru Yosano, em meio ao crescente temor sobre a situação econômica do país num momento em que a redução dos preços corrói o capital dos bancos. Os bancos, grandes detentores de ações no Japão, têm sido forçados a levantar bilhões de dólares de capital novo à medida que os papéis desabam. O Banco do Japão já pôs em prática um esquema para compra de ações diretamente das instituições. Mas analistas têm dúvidas se o governo, que enfrenta a paralisia do Parlamento e uma dura eleição este ano, poderia organizar um amplo esquema de compra de ações e se tais aquisições poderiam elevar o preço dos papéis em meio a uma crise financeira global. O índice Nikkei da Bolsa de Valores de Tóquio caiu 1,5 por cento nesta terça-feira, passando a 7.268,56 pontos, próximo do número registrado anteriormente pela última vez em 1982. A queda ocorreu depois da derrocada de Wall-Street para seu nível mais baixo em 12 anos, pelo fato de os investidores terem perdido a esperança de que o governo dos EUA possa estabilizar o sistema financeiro. O índice Topix, que agrupa um número mais amplo de ações na Bolsa de Tóquio, caiu 0.7 por cento, estabelecendo pelo terceiro dia seguido uma nova baixa recorde nos últimos 25 anos. As autoridades vão examinar os meios de apoiar o mercado de ações, entre os quais a criação de um órgão para a compra de papéis, disse Yosano. "Não é desejável que os preços das ações caiam, causando consequências desnecessárias. Discuti na sexta-feira com a equipe do governo o que poderia ser feito de modo geral na questão dos preços das ações", disse Yosano em uma coletiva de imprensa, depois de reunião do gabinete. Analistas dizem que as opções para compra de ações variam da expansão das aquisições de papéis já feitas pelo Estado até a criação de uma agência de compra de ações, como a que Japão teve em meados dos anos 1960. Mas o economista do BNP Paribas Azusa Kato disse que o governo deveria se ater ao estímulo fiscal, já que teria pouca chance de manter de modo sustentável os preços das ações. "Se o governo quer adquirir ações para puxar os preços para cima, terá de fazer isso até o nível da nacionalização", afirmou Kato. "Mesmo que os preços das ações subam, como resultado de tal medida, isso duraria somente por um ou dois dias, no máximo por uma semana, e acabaria fazendo com que outras pessoas tivessem uma melhor oportunidade para vender ações." O governo havia revelado anteriormente um plano de 20 trilhões de ienes para compra de ações, que não avançou no Parlamento. ECONOMIA EM CRISE As exportações do Japão encolheram 3,3 por cento nos últimos três meses do ano passado, na sua maior contração em cerca de 35 anos, como resultado da queda da demanda global. Economistas dizem que a produção industrial do país continua caindo muito e os dados do comércio em janeiro, que serão divulgados na quarta-feira, devem mostrar que as exportações quase caíram pela metade em relação a um ano atrás. (Reportagem adicional de Elaine Lies, Linda Sieg e Aiko Hayash)

HIDEYUKI SANO, REUTERS

24 de fevereiro de 2009 | 13h04

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