Ações ordinárias da Petrobras têm maior alta diária em 14 anos

As ações ordinárias da Petrobras tiveram sua maior alta diária em 14 anos nesta quarta-feira, após a estatal surpreender o mercado ao anunciar novo reajuste de preço do diesel, motivando analistas a elevar suas estimativas para os resultados da petrolífera.

DANIELLE ASSALVE, Reuters

06 de março de 2013 | 18h37

A Petrobras comunicou na noite de terça-feira um aumento de 5 por cento do diesel nas refinarias a partir desta quarta-feira, numa medida que visa aproximar os valores aos praticados no mercado internacional e busca reduzir os prejuízos da sua divisão de Abastecimento.

"Vemos este aumento como uma vitória para a diretoria da Petrobras, que continua a brigar por uma abordagem mais racional para os preços de diesel e gasolina no país", avaliaram analistas do Itáu BBA em relatório.

O reajuste --o segundo para o diesel neste ano-- surpreendeu o mercado, que considerava improvável que o governo federal autorizasse novo aumento de combustíveis num momento de crescentes preocupações com o avanço da inflação.

"O mercado praticamente tinha descartado novos ajustes e aumentos de combustíveis para 2013, até pelas próprias declarações do governo", disse o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, em Florianópolis.

Com isso, as ações ordinárias da estatal saltaram 15,16 por cento, a 16,41 reais, na maior alta diária do papel desde 10 de março de 1999. A preferencial subiu 9 por cento, a 18,05 reais, registrando sua maior valorização diária de fechamento desde 10 de dezembro de 2008.

Para Brugger, o avanço mais forte dos papéis com direito a voto é explicado por uma correção --já que a ação vinha sendo mais penalizada após a estatal ter anunciado corte de dividendos para a classe ordinária de ação.

No acumulado do ano até a véspera, o papel ordinário da Petrobras tinha queda de 27,11 por cento, enquanto a preferencial perdia 15,16 por cento.

MELHORA DAS EXPECTATIVAS

Após o anúncio do reajuste do diesel, diversas casas de análise divulgaram relatórios ajustando para cima suas expectativas para os resultados da Petrobras.

Analistas do Goldman Sachs elevaram de 73,8 bilhões de reais para 78,1 bilhões de reais a estimativa de Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) da Petrobras neste ano, enquanto a previsão para 2014 foi elevada de 84,1 bilhões para 89,6 bilhões de reais.

O banco também elevou o preço-alvo das ações da petrolífera. A meta para 12 meses para a preferencial foi ampliada de 23,00 reais para 24,50 reais. Para as ações ordinárias, o preço-alvo foi elevado de 22,50 para 24,20 reais.

Para a Planner Corretora, embora a diferença entre os preços domésticos ante os praticados no mercado internacional continue elevada, o reajuste eleva a receita, a geração de caixa e o lucro da empresa, além de reduzir a necessidade de novos financiamentos.

A corretora estima que o aumento do diesel terá impacto de 3,8 bilhões de reais na receita da Petrobras em base anual, com efeito praticamente igual na geração de caixa medida pelo Ebtida, já que o reajuste de preços não é acompanhado por aumento de custos.

"Ainda falta muito para os investidores olharem para as ações da Petrobras como realmente atrativas, mas não podemos negar que movimentos positivos têm sido feitos neste ano", destacou a Planner em relatório.

O Itaú BBA elevou sua projeção para o Ebtida da Petrobras em 3,1 bilhões de reais para 2013, ou 4,8 por cento, e em 3,8 bilhões de reais, ou 5,2 por cento, para 2014.

"O aumento no preço do diesel não resolve as incertezas sobre o balanço da Petrobras, mas certamente ajuda", disse o Itaú BBA em relatório.

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