Acordo BHP/Rio Tinto tem lado bom para Vale, dizem analistas

A joint-venture anunciada entre as principais rivais da Vale, a BHP e a Rio Tinto, obviamente não é o melhor dos mundos para a companhia brasileira, devido ao tamanho da nova concorrência, mas tem seu lado positivo, já que poderá elevar a pressão sobre as siderúrgicas nas próximas negociações de preços do minério, afirmaram analistas.

DENISE LUNA, REUTERS

05 de junho de 2009 | 17h30

A Vale, que seguirá sendo a maior produtora de minério de ferro do mundo, não deve sofrer impactos imediatos com a possível criação da gigante da mineração, que ainda depende da aprovação dos reguladores de concentração de mercado. Mesmo assim, analistas alertam para o grande alcance das concorrentes da Vale na China, único mercado do setor em crescimento.

"As duas (BHP e Rio Tinto) têm um mercado consolidado na China e a Vale vai ter que buscar a diferenciação, agora a concorrência ficou mesmo de peso", avaliou o analista do Banif Investment Banking Gilberto Cardoso.

O relativo maior poder de barganha que a joint-venture terá na formação do preço do minério, no entanto, poderá favorecer a indústria de mineração como um todo, inclusive a Vale, a partir do ano que vem.

"No futuro pode até ser que ajude, mas agora cada um tem uma abordagem", lembrou Cardoso, descartando possíveis impactos imediatos nas negociações em curso.

A BHP defende o sistema de preços baseados em um índice para o minério de ferro, enquanto a Rio Tinto acaba de fechar acordo com siderúrgicas japonesas e coreanas sob o regime de preço de referência.

A Vale aguarda as duas rivais encerrarem as negociações para tentar obter um preço melhor, já que no ano passado ficou atrás das concorrentes com aumentos menores para o produto.

A alta das ações da Vale ao longo do pregão desta sexta-feira indicava a aprovação do mercado, na avaliação do analista da SLW Corretora Pedro Galdi.

"Do ponto de vista de competição sempre foi duro, principalmente na China, mas a Vale ganha mais do que perde, porque vai ter mais pressão sobre o preço", disse Galdi.

Perto do fechamento, as ações preferenciais da Vale subiam 0,4 por cento, enquanto o Ibovespa cedia 0,3 por cento.

Cristiane Viana, da Ágora, também vê mais pontos positivos, com a Vale mantendo seu status de maior produtora de minério de ferro e livre do fantasma de uma parceria da Rio Tinto com a chinesa Chinalco.

"Não é o melhor dos mundos, mas o pior cenário era a China dentro da Rio Tinto, isso seria muito ruim para a Vale", lembrou Cristiane, referindo-se a conversas para compra de uma parte da Rio Tinto pela Chinalco, encerradas após a criação da joint-venture.

"Ou a Rio Tinto fazia outro mecanismo para resolver a sua dívida ou deixava a Chinalco aumentar a participação nela, para o setor de minério foi positivo, e portanto para a Vale também", complementou.

Segundo Cristiane, por ter um minério de maior qualidade e pelo volume que produz a Vale não deverá ter problemas com a nova concorrente que surge com a união das duas australianas e que juntas terão produção de cerca de 250 milhões de toneladas de minério contra a capacidade de 300 milhões de toneladas da Vale.

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