Acusação de abuso sexual é preocupante, diz Patriota

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, classificou como "muito preocupantes" as acusações de abuso sexual feitas contra o diplomata iraniano Hekmatollah Ghorbani, de 50 anos. "Pessoalmente, eu consideraria inaceitável se algum diplomata brasileiro se portasse daquela maneira em qualquer país que estivesse acreditado", disse.

LÍGIA FORMENTI, Agência Estado

19 Abril 2012 | 18h41

Patriota informou que o governo vai enviar uma nota para a Embaixada do Irã no Brasil pedindo esclarecimentos sobre o ocorrido e a apuração dos fatos. "De acordo com a reação, examinaremos que direção deveremos tomar". O documento também deve ressaltar que a Convenção de Viena estabelece que todas as pessoas com privilégio e imunidades devem respeitar as leis do Estado onde estão.

O Itamaraty ouviu familiares das quatro meninas, com idade entre 9 e 15 anos. A acusação é a de que Ghorbani teria abusado das meninas na piscina do Clube da Vizinhança, em Brasília. De acordo com a mãe de uma das vítimas, o diplomata acariciava as partes íntimas das menores durante mergulho na piscina. O diplomata foi detido na 1ª Delegacia de Polícia, mas foi liberado, por ter imunidade diplomática.

Brasil e Irã são signatários da Convenção de Viena, documento que assegura imunidade penal, civil e administrativa para agentes diplomáticos. Casado, com dois filhos, Ghorbani há dois anos exerce o cargo de conselheiro da Embaixada, a terceira maior função na hierarquia.

A Embaixada do Irã publicou uma nota na noite de quarta-feira sobre o caso. Segundo o texto, houve um "mal-entendido" na interpretação dos fatos devido às "diferenças culturais" entre iranianos e brasileiros. Desde que as acusações foram feitas, no último dia 14, esta foi a primeira manifestação da representação diplomática.

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