Acusado de homicídios, pai de Eloá é preso em AL

O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas Everaldo Pereira dos Santos - pai da estudante Eloá, morta a tiros pelo namorado, Lindemberg Alves, em outubro do ano passado - foi preso ontem, na periferia de Maceió. Everaldo estava foragido desde a morte da filha, em Santo André (SP), quando foi visto pela última vez. Ele é acusado de integrar a Gangue Fardada, organização criminosa composta por policiais militares e civis que, nos anos 90, foi acusada de crimes de pistolagem, assaltos, roubos e desmanche de carros.

Ricardo Rodrigues, MACEIÓ, O Estadao de S.Paulo

29 Dezembro 2009 | 00h00

Em entrevista coletiva, Everaldo se disse inocente e negou envolvimento com o crime organizado. Em novembro, ele foi condenado, à revelia, a 33 anos e seis meses de prisão pelos assassinatos do ex-delegado Ricardo Lessa e de seu motorista Antenor Carlota da Silva, em 1991. Ele acusou o ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas delegado Rubens Quintella pelo crime. O ex-cabo também negou ter matado sua ex-mulher, antes de fugir de Maceió, nos anos 90. Quintella está doente e nenhum representante foi encontrado para comentar a acusação. Ninguém da família de Eloá também foi encontrado para falar sobre a prisão.

Na entrevista, Everaldo disse que tem medo de ser morto, como queima de arquivo. "Claro que eu posso ser morto a qualquer momento. Um juiz falou para mim que eu tenho apenas 25% de vida", afirmou.

O ex-PM estava escondido havia dez dias em casas de parentes em Maceió. De acordo com o diretor-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas, delegado José Edson, ele ainda tentou fugir quando a polícia cercou o local. A polícia confirmou que Everaldo também se refugiou na Bolívia.

O secretário de Defesa Social, delegado Paulo Rubim, disse que outros crimes atribuídos a ele estariam prestes a prescrever. Everaldo foi preso graças a denúncia anônima.

Ele foi encaminhado ao 10º Distrito Policial, onde prestou depoimento. Everaldo confirmou que em São Paulo usava o nome falso de Aldo José da Silva. O ex-militar disse que está disposto a colaborar com a Justiça, revelando o que sabe sobre o crime organizado em Alagoas.

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