Acusado de matar em acidente, promotor volta à ativa

O promotor de Justiça Wagner Grossi, acusado e dirigir bêbado e causar a morte de três pessoas num acidente de trânsito, voltou a desempenhar as funções no Fórum de Araçatuba, no interior de São Paulo, onde presta serviços, a 430 quilômetros da capital paulista. Apesar disso, Grossi poderá ser transferido de cidade a pedido do Ministério Público (MP). Ele ficou afastado 120 dias por determinação da Procuradoria-Geral de Justiça, mas, na segunda-feira, recebeu autorização para voltar ao trabalho. O afastamento foi necessário para que a Corregedoria-Geral do MP paulista pudesse concluir a sindicância aberta para apurar a conduta doe Grossi, cujos exames clínicos revelaram que estava embriagado no momento do acidente, em 7 de outubro.Hoje, a assessoria da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de São Paulo não quis comentar o resultado da sindicância nem informar em qual estágio se encontra o processo que apura crime de homicídio culposo com agravante ao qual o promotor foi denunciado. A assessoria limitou-se a informar que o corregedor-geral do MP de São Paulo, Antônio de Pádua Bertoni, enviou pedido ao Conselho Superior do MP requerendo a "remoção compulsória" de Grossi de Araçatuba. Isso significa que Grossi deverá ser transferido de Araçatuba assim que o conselho terminar de analisar o pedido. A assessoria também não informou qual a justificativa do pedido.Hoje, ninguém quis comentar o assunto no Fórum de Araçatuba, onde Grossi não foi encontrado. Um funcionário, que pediu para não ser identificado, disse que o promotor "não quer receber jornalista". Segundo ele, Grossi "está recatado e um pouco sem jeito; mas todos sabem que ele é um bom profissional, que vai superar esse obstáculo". Se condenado, Grossi pode pegar de três a nove anos de prisão, mas, pela pena mínima, pode cumprir a punição em liberdade, sofrendo apenas restrições de direitos e poderá ser expulso do MP. Enquanto isso não acontece, continuará a receber cerca de R$ 15 mil mensais de salário. O acidente ocorreu na rodovia Elyeser Montenegro Magalhães (SP-463), no Jardim Verde Parque, na zona leste de Araçatuba. Grossi voltava de um rancho às margens do Rio Tietê, em alta velocidade, quando perdeu o controle da caminhonete, invadiu a pista contrária e bateu de frente na motocicleta conduzida pelo metalúrgico Alessandro Silva Santos. Na moto, estavam, além de Santos, a namorada dele, Alessandra Alves, e o filho dela, Adriel Rian Alves, de sete anos. Os três morreram na hora. De acordo com testemunhas, Grossi ainda desceu do veículo com uma lata de cerveja na mão, sem saber o que tinha ocorrido. Só depois foi avisado por uma testemunha sobre o acidente. Curiosos tentaram espancá-lo, mas foi retirado pela polícia. Na carroceria da caminhonete, a polícia encontrou uma bolsa com latas de cerveja.

CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA AE, Agencia Estado

22 de fevereiro de 2008 | 20h44

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