Acusado de matar ex-mulher tem prisão pedida pelo MP

Polícia encontra camiseta suja de sangue de Janken próximo ao local do crime; ele fugiu com o filho do casal

Bárbara de Souza, Jornal da Tarde

25 de março de 2009 | 08h51

O Ministério Público Estadual pediu à Justiça na noite da terça-feira, 24, a prisão preventiva do ex-jogador de futebol Janken Ferraz Evangelista, de 29 anos, acusado de matar a facadas a ex-mulher, Ana Cláudia Melo da Silva, de 18 anos, na noite de domingo, e fugir com o filho do casal, Gabriel, de 1 ano e 8 meses.

Além do pedido de prisão, o promotor de Justiça Marcelo Milani apresentou denúncia contra Evangelista, por acreditar que já tem provas suficientes para apontá-lo como o autor do crime. O pedido de prisão preventiva, para ele, também se sustenta. “Ele está foragido, revelou periculosidade, forjou a visita ao filho para matar a ex-mulher. São provas mais que suficientes para pedir a prisão.”

A camiseta que Evangelista usava quando entrou no condomínio da ex-mulher foi encontrada na terça, com manchas de sangue, no estacionamento de um supermercado próximo ao apartamento onde a jovem foi assassinada, no Jardim da Saúde, na zona sul. Imagens das câmeras de segurança do condomínio mostram que Evangelista saiu do prédio usando uma camisa diferente da que vestia quando chegou ao prédio na noite de domingo com Ana Cláudia e Gabriel. As imagens mostram o rapaz levando o filho.

“Estamos com várias equipes nas ruas para checar as denúncias anônimas que estão chegando”, disse o delegado Marcos Carneiro, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

A polícia e o advogado Tito Lívio Moreira, que cuidou do pedido de guarda da criança para Evangelista, estão se comunicando para tentar negociar a entrega de Gabriel. “Mas ele não entrou em contato comigo.”

Evangelista está sendo procurado também pela polícia da cidade de Teixeira de Freitas, na Bahia, onde vive sua família. Segundo o delegado Nelis Araújo Júnior, coordenador regional da Polícia Civil das cidades do sul da Bahia, três equipes estão à procura do acusado na região. Ele disse que instalou bloqueios nos acessos à cidade. “É um fato de grande repercussão, então temos de dar uma atenção especial”, disse.

O rapaz jogou futebol em clubes paulistas, entre eles no São Paulo. A assessoria de imprensa do time informou que não consta nenhum registro de Janken ou de João Roberto Ferraz Evangelista, nome do irmão mais novo, que ele usava para conseguir se inscrever nas categorias de base. O time admitiu que ele teve uma rápida passagem por uma categoria amadora do clube e foi desligado em 2000 por falta de “evolução técnica” - não por forjar documento.

Violência

A família de Ana Cláudia teme pela vida da criança, principalmente por conta do histórico de violência de Evangelista contra a ex-mulher. Odair Bezerra da Silva, irmão da jovem, mostrou documentos que comprovariam as agressões contra a irmã.

Um boletim de ocorrência de novembro de 2008 na delegacia de Teixeira de Freitas aponta Evangelista como autor de agressões contra Ana Cláudia. Em uma carta enviada à família em São Paulo, ela relata as agressões cometidas por Evangelista, na casa da família dele, na Bahia.

O Conselho Tutelar de Teixeira de Freitas também tem um relatório a respeito do caso, de novembro do ano passado. A psicóloga que atende o casal descreve Ana Cláudia como uma jovem “muito determinada, que a cada dia toma mais consciência de seu papel como mãe” e que Janken, apesar de amar muito o filho, não demonstrou “recursos psicológicos para a condução de uma vida a dois”.

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