Acusado de matar por órgãos é condenado à morte na China

Chinês seqüestrou e matou mendigo, vendendo seu fígado, rim e pâncreas.

Marina Wentzel, BBC

26 de julho de 2007 | 01h14

Um homem foi condenado à morte na China por matar um morador de rua deficiente e vender os órgãos da vítima para transplante. O caso foi julgado recentemente na corte de Shijianzhuang na província de Hebei. O crime ocorreu no ano passado quando Wang Chaoyang, de 32 anos, seqüestrou o indigente Tong Gefei no distrito de Xingtang e manteve a vitima em cativeiro por uma semana numa estação de energia elétrica abandonada.Wang aprisionou Tong enquanto buscava por compradores para os órgãos do mendigo.A vítima, que tinha 40 anos, foi morta por estrangulamento no dia 15 de novembro e teve rim, pâncreas e fígado vendidos por 15 mil iuans (R$ 3,6 mil).Wang teria oferecido os órgãos a três médicos na província de Wuhan e um em Pequim. O criminoso disse aos doutores que o morto era um tio seu, ex-prisioneiro que fora executado.Os médicos aceitaram a oferta e recolheram os órgãos de Tong poucas horas depois do assassinato ainda na própria estação de energia abandonada que servia de cativeiro, mas acharam estranho o local e comunicaram o fato à policia.As autoridades prenderam Wang no dia seguinte. Três comparsas ainda estão foragidos. Os médicos não foram indiciados, mas participaram do processo como testemunhas.É comum na China a prática de transplantes de órgãos de ex-prisioneiros e não há muito controle sobre o consentimento da doação. "Eles (os médicos) só não foram processados por que chamaram a polícia, se não estariam respondendo por tráfico de órgãos e violação de cadáver", disse o juiz do caso ao jornal South China Morning Post.O juiz não quis revelar se os médicos aceitaram extrair os órgãos sem conferir se havia algum consentimento por escrito ordenando a doação.A revista Nanfeng Chuang, da cidade de Guangzhou, publicou declarações do irmão da vitima dizendo que os médicos ofereceram 65 mil iuans (R$ 16 mil) em compensação para que a família não fizesse queixa contra eles.A nova lei chinesa que regula os transplantes entrou em vigor em 1º de maio e proíbe o comércio de órgãos, bem como encoraja a doação voluntária. Entretanto, a legislação não especifica regras e limites quanto ao uso de órgãos de ex-prisioneiros. Segundo números da agência de notícias estatal Xinhua, estima-se que a cada ano dois milhões de chineses necessitem de transplantes, mas devido à falta de doadores apenas 20 mil cirurgias são realizadas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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