'Adiantar processo pode prejudicar criança'

Antes de completar 7 anos, aluno não está neurologicamente apto para um aprendizado profundo, defende especialista da pedagogia Waldorf

O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h04

Presente há meio século no Brasil, a pedagogia Waldorf conquistou muitos adeptos. Introduzida por Rudolf Steiner em 1919, na Alemanha, a filosofia dessas escolas se baseia na ideia de que a educação deve ser pautada pelo desenvolvimento da criança, de acordo com suas necessidades em cada etapa.

Para essas escolas, a criança deve ser considerada em seus aspectos físicos, espirituais e psicoemocionais. Nos primeiros sete anos - primeiro setênio - é quando ela recebe impressões sensoriais, não elabora julgamentos e está aberta ao mundo, entre outros elementos.

"Por isso, para nós, uma criança que não completou 7 anos não está neurologicamente apta para um aprendizado profundo", afirma Antonio Ponce, coordenador do grupo executivo da Federação das Escolas Waldorf e professor da Escola Waldorf Rudolf Steiner. "Adiantar esse processo pode acarretar um prejuízo em toda a sua escolaridade."

Para ele, a criança pode ingressar com 6 anos no ensino fundamental, mas deve completar 7 no decorrer do primeiro semestre. As professoras do Colégio Waldorf Micael de São Paulo concordam e explicam que cada criança atinge sua maturidade num tempo específico. "Não é só a maturidade intelectual, mas a emocional também. Ela aprende a lidar melhor com problemas, frustrações e autoestima", diz a professora Cláudia Gama.

"Existem crianças aqui que aprendem a ler antes por conta delas. É difícil estabelecer uma regra, porque estamos falando de seres humanos e cada um tem seu processo individual de desenvolvimento", afirma a professora Adriana de Oliveira e Souza.

Opção. Para pedagogas ouvidas pelo Estado, a escolha de matricular o filho em uma escola Waldorf é da família e, portanto, essa opção de que a criança fique por mais um ano na educação infantil deve ser respeitada pelos órgãos reguladores. "Os pais devem ter a opção de aceitar ou não aquela filosofia - são escolas privadas. A grande pergunta é: o que a família espera da escola?", diz Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

"É muito mais preocupante discutir o caso dessas escolas que prometem alfabetizar o aluno aos 3 anos de idade que essa questão do ingresso aos 7 anos referente à pedagogia Waldorf", afirma Ângela Soligo, professora da Faculdade de Educação Unicamp. / MARIANA MANDELLI

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