Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Adolescência modifica cérebro e altera QI

Estudo realizado no University College London revela que quociente intelectual pode aumentar ou abaixar no período dos 13 aos 18 anos

Gisela Telis, ScienceNOW ,

23 de outubro de 2011 | 03h02

Um estudo divulgado recentemente nos EUA confirma o que os pais há muito suspeitavam: a adolescência pode acarretar modificações no cérebro. Pesquisadores descobriram que o quociente intelectual (QI) pode aumentar ou baixar entre os 13 e os 18 anos - e a estrutura do cérebro reflete o aumento ou declínio.

Os resultados mostram a primeira evidência direta de que a inteligência pode se modificar após os primeiros anos da infância e proporciona esperanças quanto à possibilidade de melhorar a capacidade do cérebro.

Embora os pesquisadores ainda discutam o que os testes de QI medem, eles concordam que suas avaliações podem prever a capacidade de aprender e desempenhar determinadas tarefas - e, até certo ponto, nossas futuras realizações acadêmicas e nosso desempenho no trabalho.

Durante muito tempo, acreditou-se que as avaliações permaneciam relativamente estáveis ao longo da nossa vida; os poucos estudos que mostraram alguma variação do QI não excluíram erros ou divergências nas medições quando se testou o ambiente como a causa.

Portanto, a neurocientista Cathy Price, do University College London, e seus colegas foram além das avaliações. Em 2004, testaram 33 jovens - 19 meninos e 14 meninas -, que, na época, tinham entre 12 e 16 anos, e repetiram o teste em 2008, quando tinham 15 e 19, respectivamente.

Cada vez, os adolescentes realizaram testes de QI que avaliavam capacidades verbais e não verbais. Depois, usando a ressonância magnética, os pesquisadores escanearam os cérebros dos adolescentes enquanto eles realizavam tarefas verbais, como ler ou dar nomes a objetos, e tarefas não verbais, como solucionar quebra-cabeças. A ideia era comparar as avaliações com uma imagem da estrutura e atividade do cérebro todas as vezes.

Os resultados dos testes revelaram mudanças drásticas: entre o primeiro e o segundo teste, as avaliações verbais e não verbais do QI subiram ou caíram até 20 pontos, em uma escala cuja média era 100.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.