Adubo orgânico e gratuito

Fertilizante produzido pela Sabesp de São José dos Campos (SP) é opção para agricultores do Vale do Paraíba

Tânia Rabello, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2009 | 02h33

Produtores rurais do Vale do Paraíba têm uma boa opção para adubar suas lavouras com um fertilizante orgânico de qualidade e gratuito. A Estação de Tratamento de Esgotos de Lavapés, da Sabesp de São José dos Campos (SP), produz, mensalmente, cerca de 400 toneladas deste fertilizante orgânico, batizado de Sabesfértil, proveniente do esgoto doméstico. "Entregamos a quantidade desejada diretamente na propriedade, sem cobrar o frete", diz o gerente do Setor de Produção da Sabesp, Gustavo Sousa Nilo Bahia Diniz."Fazemos, porém, o acompanhamento de cada lote enviado até a sua utilização efetiva no campo, o que é obrigatório por lei, já que o Sabesfértil não pode ser estocado e deve ter uso imediato", diz Diniz. Ele explica ainda que o Ministério da Agricultura proíbe a estocagem e a revenda de fertilizante orgânico proveniente de Estações de Tratamento de Esgotos.PRECONCEITOO Sabesfértil é um produto registrado no Ministério da Agricultura (Mapa) como Fertilizante Orgânico Composto Classe D e, embora possa haver algum receio por parte do produtor agrícola em utilizar na lavoura um fertilizante proveniente de esgoto, de acordo com o próprio ministério, trata-se de um fertilizante de uso seguro."Além do registro, temos laudos técnicos para atestar que o Sabesfértil não tem patógenos, como coliformes resistentes ao calor, ovos de helmintos, nem salmonelas", diz ele, acrescentando que o que falta para que fertilizantes do gênero sejam largamente utilizados na agricultura é quebrar o preconceito em relação a adubo orgânico proveniente de esgoto.Diniz acrescenta, ainda, que o Sabesfértil pode ser usado em vários tipos de lavoura, com exceção de hortaliças, raízes, tubérculos, pastagens e capineiras. "O Mapa não permite a aplicação de fertilizantes classe D nesses tipos de lavoura", explica. Mas, em fruticultura, cana e café, pode ser utilizado sem problemas. Segundo Diniz, uma propriedade de Angatuba, que cultiva laranja, já está utilizando o fertilizante, com sucesso.Para a Sabesp, explica Diniz, é interessante sob vários aspectos partir para a reutilização desse resíduo do tratamento de águas. "Se ele não for para a agricultura, vai para o aterro sanitário, que está cada vez mais saturado", diz. "E, para enviá-lo ao aterro, precisamos antes aplicar a mesma quantidade de cal virgem e misturar", continua. "Isso dobra o volume de material e desperdiça um adubo riquíssimo em nutrientes", explica. INFORMAÇÕES:ETE Lavapés, tel. (0--12) 3904-3234

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