JF Diório/Estadão
JF Diório/Estadão

Advogada de filhos de ex-presidente do Panamá é presa preventivamente

Evelyn Vargas é suspeita de estar relacionada a lavagem de dinheiro do esquema da Odebrecht no país

O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2017 | 04h54

CIDADE DO PANAMÁ - A advogada panamenha Evelyn Vargas foi detida preventivamente nesta quarta-feira, 22, após depoimento ante a Procuradoria Especial Anticorrupção. Ela é a defensora dos filhos do ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), imputados no esquema de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

"Evelyn veio voluntariamente e vai colaborar com o Ministério Público. Pelo avançado da hora, a diligência foi suspensa e se continuará nesta quinta-feira [23]", disse a jornalistas um dos advogado de Evelyn, René Rodríguez. A acusada foi enviada quase à meia-noite de quinta a uma cela policial, após depoimento de oito horas.

Evelyn, sobre a qual pesava um alerta vermelho de prisão da Interpol, chegou nesta quarta ao aeroporto internacional da capital panamenha. Com óculos de sol e uma jaqueta que ocultava suas mãos, foi levada por vários agentes a um micro-ônibus com vidros escuros que a conduziu até a sede da procuradoria.

Segundo um comunicado da Procuradoria-Geral, a acusada chegou ao Panamá precedente do México, depois de a Interpol em ambos os países realizarem "coordenações e comunicações", após conhecer o interesse de Evelyn por regressar a seu país para enfrentar a Justiça.

A advogada é acusada de lavagem de dinheiro por estar supostamente relacionada com várias sociedades nas quais os filhos de Martinelli, Ricardo e Luis Enrique, haviam recebido possíveis subornos da Odebrecht. "Ela [Evelyn] era uma simples empregada da importadora Ricamar [de propriedade do ex-presidente Martinelli]", afirmou Rodríguez.

O comparecimento de Evelyn à Justiça ocorre um dia depois de a procuradora-chefe panamenha, Kenia Porcell, dar um ultimato aos implicados no escândalo. A promotora disse que eles deveriam procurar o Ministério Público até 1º de junho para se beneficiarem com reduções de penas.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht admitiu ter pago, entre 2010 e 2014, US$ 59 milhões em propinas no Panamá. / EFE

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