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Advogados aguardam em Paris a chegada de físico deportado para evitar que ele seja preso

Professor visitante da UFRJ, Adlène Hicheur, argelino naturalizado francês, foi condenado a cinco anos de prisão pela Justiça da França, sob acusação de planejar atentados terroristas

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2016 | 13h31

RIO - Um grupo de advogados franceses aguarda na tarde deste sábado, 16, em Paris, o desembarque do físico Adlène Hicheur, de 39 anos, deportado pelo governo brasileiro na sexta-feira depois de viver três anos no Brasil. Professor visitante da UFRJ, Hicheur, argelino naturalizado francês, foi condenado a cinco anos de prisão pela Justiça da França, sob acusação de planejar atentados terroristas. Depois de dois anos, ganhou liberdade provisória e mudou-se para o Rio de Janeiro. Na noite de sexta-feira, 15, Hicheur teve de embarcar em um voo da TAP para Paris, via Lisboa, por determinação do Ministério da Justiça, que atendeu recomendação da Polícia Federal. A UFRJ protestou, em nota divulgada na sexta-feira, contra a deportação do professor, mas não conseguiu evitar o retorno de Hicheur a Paris. 

“Advogados franceses solidários ao drama de Adlène estão no aeroporto para que ele não sofra arbitrariedade da polícia francesa. Temo que ele seja preso com base na lei antiterror da França, temo que o governo brasileiro tenha entregue Adlène ao governo francês”, afirmou neste sábado o pesquisador Ignacio Bediaga, responsável pelo convite para que o físico viesse trabalhar no Brasil. “Ele já cumpriu pena, é um cidadão livre na França, mas como a saída dele foi completamente anômala, tememos que alguma arbitrariedade aconteça”, afirmou Bediaga, que trabalha no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). 

Hicheur foi avisado de que seria deportado na manhã de sexta-feira, em sua casa, na Tijuca (zona norte), quando fazia uma apresentação, por  videoconferência, para pesquisadores do Centro Europeu para Física de Partículas. Ele foi levado por policiais federais ao aeroporto do Galeão no início da tarde. A deportação aconteceu no dia seguinte ao atentado em Nice que matou 84 pessoas. A vice-reitora da UFRJ, Denise Nascimento, esteve no aeroporto para tentar impedir a deportação, mas não conseguiu evitar o embarque. 

Em janeiro, a revista Época informou que a Polícia Federal monitorava Hicheur em razão de suas supostas atividades terroristas,  que o físico sempre negou. Na ocasião, o pesquisador pensou em retornar à França, mas foi convencido por amigos a ficar no Brasil.

Em nota divulgada na sexta-feira, o Ministério da Justiça disse que, “acolhendo recomendação da Polícia Federal e tendo em vista o indeferimento do pedido de prorrogação de autorização de trabalho no País, e dada a conveniência ao interesse nacional, autorizou a deportação sumária” de Hicheur.

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