Afif conversa em Londres com interessados em PPPs de SP

O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, recebeu perto de 10 investidores internacionais interessados no pacote estadual de Parcerias Público Privadas (PPP) lançado na segunda-feira na capital britânica. A informação foi dada nesta terça-feira por Afif, após deixar a embaixada brasileira, onde foram realizados os encontros individuais durante a manhã e o início da tarde. A principal reclamação dos estrangeiros foi o complicado sistema tributário nacional.

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE, Agência Estado

29 de janeiro de 2013 | 13h25

Segundo Afif, o interesse partiu de grandes fundos de investimento internacionais e também de construtoras. O vice-governador afirmou que foram recebidos investidores europeus, mas também de outras regiões, como a Austrália e a China. "Estão vivamente interessados e confirmam o nosso diagnóstico de que há ociosidade nos recursos financeiro pelo mundo", disse à Agência Estado. O tema que despertou mais interesse é o de transporte urbano (cerca de 80%). "Mas também houve interesse pelos projetos sociais, como o sistema educacional, prisões e hospitais", acrescentou Afif.

Nas conversas, além de detalhes técnicos dos oito projetos, Afif disse que os investidores reclamaram dos impostos e da burocracia do Brasil. "Ouvimos muitas observações sobre o sistema tributário brasileiro e reconheço que, efetivamente, esse é um dos grandes entraves para o desenvolvimento mais sustentável das PPP", disse.

"Sobre o sistema tributário, só temos a concordar porque o Brasil é um dos poucos do mundo que taxa o investimento, principalmente em infraestrutura", disse. A respeito do ambiente de negócios e eventual desconfiança dos investidores após fatos recentes, como a mudança de contratos no sistema elétrico, Afif admitiu que "o ambiente geral de negócios do Brasil não é muito favorável". "O ambiente é muito travado pelo sistema tributário e pelo complexíssimo sistema fiscal e de obrigações acessórias. Isso faz com que até o País seja imprevisível", disse, ao comentar as reclamações dos investidores.

Apesar dos problemas, o vice-governador acredita que os estrangeiros mantêm interesse no Brasil. "Isso não é motivo para que os estrangeiros digam que não vou, mas sim que vou e que é preciso melhorar o ambiente", disse. "Há uma disposição muito grande de investir recursos no Brasil desde que isso possa ser acompanhado pela simplificação e desburocratização", completou. O vice-governador comentou que alguns dos fundos e construtoras já mantêm contato com operadores brasileiros para uma eventual formação de consórcio para disputar as PPP.

Na segunda-feira (28), o vice-governador apresentou um pacote de US$ 20 bilhões em oito PPP. Entre as obras estão a nova linha 6 do metrô, que ligará o bairro de Brasilândia (na zona norte da capital paulista) ao bairro de São Joaquim (no centro) e a nova rede de 416 quilômetros de trens regionais que ligarão diversas localidades a uma raio de pouco de 100 quilômetros à cidade de São Paulo.

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