África cria maior área de conservação sem fronteiras

A África ganhou na semana passada a maior área de conservação transfronteiriça do planeta. A Kavango Zambezi, ou simplesmente Kaza, abrange cinco países e 44 milhões de hectares - quase duas vezes o tamanho do Estado de Rondônia. Para se ter uma ideia do tamanho, a maior unidade de conservação brasileira, o Parque Nacional do Tumucumaque, tem 3,8 milhões de hectares.

O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h03

A iniciativa começou a ser formatada em agosto do ano passado, quando os presidentes de Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue fizeram uma aliança para estabelecer a área. Eles recebem financiamento do Banco de Desenvolvimento Alemão e apoio técnico das ONGs WWF e Peace Parks Foundation, que atua justamente com parques transfronteiriços.

A ideia era garantir a proteção a animais como elefantes - nessa área vivem cerca de 325 mil deles, quase metade da população desses animais na África -, rinocerontes, leões, búfalos, hipopótamos e leopardos. E, ao mesmo tempo, manter a herança cultural local e promover mais empregos para a população local com o incentivo ao turismo. Na região vive 1,5 milhão de pessoas que dependem dos recursos encontrados na reserva.

A nova área também deve facilitar a migração de espécies por meio de corredores ecológicos que unificam 20 parques nacionais e áreas de vida selvagem e safáris. Com espaço para os animais se movimentarem mais livremente, diminuem também os conflitos com fazendeiros da região.

Sem fronteiras. A proteção unificada entre os vários países se fez necessária porque naquela área, em vários pontos, a fronteira entre os países é imaginária. Entre Namíbia e Zâmbia, por exemplo, há árvores dos dois lados, mas não há rios que impeçam a travessia de elefantes ou de seus caçadores, de um lugar para o outro. De modo que as equipes de controle da caça ilegal dos dois países precisam trabalhar juntas, ou o problema não se resolve. / G.G.

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