África do Sul cria campos de refugiados para imigrantes

Mais de 70 mil estrangeiros estão em abrigos temporários após a onda de violência xenófoba que atingiu o país

Da BBC Brasil, BBC

28 de maio de 2008 | 10h00

O governo da África do Sul irá anunciar nesta quarta-feira, 28, os planos para criação de sete campos de refugiados para abrigar os imigrantes que fugiram dos ataques das últimas duas semanas. Segundo dados oficiais, a onda de violência contra os imigrantes deixou 56 mortos e 650 feridos. Além disso, cerca de 30 mil pessoas deixaram as suas casas de maneira forçada ou por medo dos ataques. Os campos irão tirar cerca de 70 mil pessoas dos abrigos temporários que foram formados ao redor dos prédios estatais e que apresentam condições sanitárias precárias. A decisão do governo não é apoiada pelas agências humanitárias internacionais, que estimam em 80 mil o número de desabrigados. Segundo essas entidades, o governo não tem a experiência necessária para gerenciar campos de refugiados. O editor especializado em assuntos africanos da BBC, Martin Plaut, afirma que as agências temem que os locais criados pelo governo tornem-se campos semipermanentes de abrigo de refugiados. Ele ressalta que estabelecimento dos campos pode se tornar um problema para o governo no futuro. A organização Médico Sem Fronteiras, que atua na região, chamou a atenção para as condições precárias que os refugiados estão enfrentando nos abrigos temporários. Segundo a coordenadora africana da ONG, Muriel Cornelis, as condições dos acampamentos estão se tornando "deploráveis". "Não há latrina, banheiros, chuveiros ou acesso a água de forma suficiente", afirmou. Françoise Le Goff, diretora regional da Cruz Vermelha, disse à BBC que é vital que os imigrantes sejam retirados dos abrigos e acampamentos temporários. "Temos problemas com o saneamento, é frio, as pessoas estão ficando doentes, não há segurança nesses locais", afirmou Le Goff. "As pessoas precisam deixar esses lugares e ter uma área onde possam se estabelecer por um tempo e onde consigam reorganizar uma vida melhor", disse. Apesar das condições descritas pelos agentes humanitários, o diretor da força tarefa parlamentar, Able Bapela, disse à BBC que as vítimas da violência estariam recebendo "solidariedade a apoio humanitário". O ministro de Defesa e Segurança, Charles Nqakula, afirmou que mais de 1,3 mil pessoas já foram presas e que o governo havia estabelecido tribunais especiais para lidar com a situação. O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, condenou a onda de violência contra imigrantes como o pior ato desumano já visto no país desde o apartheid. No entanto, o presidente vem sendo criticado por sua reação aos ataques, alguns dizem que ele atuou muito lentamente. Os ataques contra imigrantes do Zimbábue e de outras nações africanas começaram em Johanesburgo no início do mês. A onda de violência se espalhou por nove províncias. Vários imigrantes fugiram da África do Sul para países como Zâmbia, Moçambique e Botsuana. Segundo informações da Cruz Vermelha divulgadas na terça-feira, 27 mil teriam partido com destino ao Moçambique.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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