África do Sul estuda usar Exército para conter ataques a estrangeiros

Comunidades estrangeiras estão sendo perseguidas; 23 pessoas já foram mortas.

Da BBC Brasil, BBC

20 de maio de 2008 | 12h20

O governo da África do Sul está cogitando enviar o Exército para ajudar a combater uma onda de ataques contra imigrantes que já deixou 23 mortos.Um dos membros do partido governista, o Congresso Nacional Africano (CNA), disse que a hipótese de mobilizar o Exército "não pode ser descartada"."A situação é horrenda e temos de intervir com rigor", disse Mbhazima Shilowa. Enquanto a decisão não é tomada, o governo tenta amenizar a tensão com o envio de reforços policiais para as áreas que concentram os maiores focos de violência.O presidente Thabo Mbeki disse que os policiais chegariam "à raiz da anarquia".A violência contra os estrangeiros já se espalhou para outras quatro áreas de Johanesburgo.Estima-se que 13 mil imigrantes tenham fugido de suas casas com medo de represálias.AbrigosNos últimos ataques, dois moçambicanos que trabalhavam como mineiros teriam sido espancados até a morte.A ministra do Interior, Novisiwe Mapisa-Nqakula, prometeu que nenhum imigrante ilegal será deportado enquanto os ataques não cessarem.O ministro da Segurança, Charles Nqakula, disse que os que abandonaram suas casas terão direito a abrigos.Segundo a polícia, 40 pessoas foram presas durante a noite, somando-se às outras 250 que foram detidas nos últimos três dias. O secretário-geral do Conselho Nacional Africano, Gwede Manrashe, disse ter conversado com o principal partido de oposição ao governo, o Partido da Liberdade Inkatha. Segundo Manrashe, a maioria dos ataques estaria acontecendo em zonas habitadas por partidários da oposição, que negam qualquer envolimento nos episódios.Problemas sociaisA onda de violência começou há cerca de uma semana no distrito de Alexandra. Imigrantes vindos de países vizinhos foram cercados por homens levando armas e barras de ferro e gritando "expulsem os estrangeiros".Pessoas do Zimbábue, Moçambique e Malauí fugiram para bairros próximos.Casas foram queimadas e lojas saqueadas, e a violência se espalhou para outras áreas da cidade.Desde o fim do apartheid, o sistema de segregação racial que vigorava na África do Sul, milhões de imigrantes se dirigiram ao país em busca de trabalho e proteção.Mas eles acabaram sendo considerados por muitos como responsáveis por alguns dos problemas sociais da África do Sul, como a alta taxa de desemprego, a falta de moradia e um dos níveis de criminalidade mais altos do mundo.Thabo Mbeki disse que vai organizar um painel de especialistas para investigar as causas da violência, enquanto o líder do partido governista, Jacob Zuma, condenou os ataques."Não podemos permitir que a África do Sul fique conhecida por xenofobia", disse Zuma.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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