AGENDA FRACA MARCA VISITA DE DILMA A ROMA

Vaticano não confirma reunião com papa, apenas uma foto na fila de cumprimentos

O Estado de S.Paulo

18 de março de 2013 | 02h02

Uma presidente, quatro ministros, assessores, diplomatas, aluguel de 21 carros de luxo, hospedagem em hotel cinco estrelas cuja diária pode chegar a 4 mil euros e uma agenda praticamente vazia. A presidente Dilma Rousseff desembarcou ontem em Roma para quatro dias de visita para a cerimônia de entronização do papa Francisco, amanhã. Mas sua passagem por Roma pode se limitar a apenas uma foto com o pontífice, além de dois compromissos inexpressivos.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, confirmou ao Estado que a presidente brasileira dificilmente será recebida em uma audiência especial pelo papa. Ela falará com Francisco apenas na fila dos cumprimentos e sairá na foto, suficiente para seus cálculos políticos. Já o Itamaraty tenta valorizar a viagem, declarando que, na fila, o papa aceitou ter um diálogo mais longo com a presidente - provavelmente para convidá-la a participar da Jornada Mundial da Juventude, que a Igreja organiza no Rio, em julho. Existem ainda negociações para outro encontro. Mas sem qualquer confirmação.

Dilma é a primeira presidente brasileira a estar na entronização de um papa, fato que o Itamaraty aponta como uma demonstração da importância que dá ao evento.

Ontem, após desembarcar, Dilma aproveitou para escapar dos jornalistas e fazer turismo por mais de quatro horas em Roma ao lado dos ministros Helena Chagas, Aloizio Mercandante, Antonio Patriota e Gilberto Carvalho. Em um primeiro momento, seu percurso não foi divulgado porque, segundo o Itamaraty, tratava-se de uma "agenda privada". À noite, um jantar num restaurante típico da cidade, em local mantido em sigilo.

Foi só quando a delegação retornou para o hotel que o governo revelou que ela havia ido a duas igrejas: Santa Maria Maggiore e São Paulo Extramuros. Os locais teriam sido escolhidos por sua "representatividade".

O hotel que hospeda Dilma é o Excelsior, um dos mais luxuosos da Europa, e o mesmo que receberá o vice-presidente dos EUA, Joe Biden e o presidente de Taiwan.

Hoje, a agenda de Dilma é tudo, menos intensa. Por enquanto, há apenas uma proposta de um eventual encontro com o chefe de governo da Eslovênia, irrelevante no cenário internacional. O governo ainda negocia um encontro com o presidente italiano, Giorgio Napolitano, em fim de governo e sem qualquer poder. Roma sequer confirmou o encontro e as chances são remotas. Na quarta-feira, está prevista uma visita à FAO, agência da ONU de agricultura e alimentação.

Com isso, o ponto alto - pelo menos o que motivou a viagem - está marcado para amanhã: Dilma será uma das 150 autoridades que estarão na entronização de Francisco.

Na agenda, tampouco está previsto encontro com os cardeais brasileiros que votaram no conclave. Pessoas próximas ao governo indicam que o Palácio do Planalto não estava confortável com a ideia de que o cardeal brasileiro Odilo Scherer fosse eleito papa. Uma das preocupações era de que, se vencesse, o cardeal se transformaria numa sombra incômoda ao governo, fazendo comentários sobre assuntos domésticos e tendo influência. / JAMIL CHADE

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