Agente é demitido por incitar rebelião de menores em SP

Funcionário achou estranho demissão, pois, dos 40 jovens, apenas oito o acusaram de envolvimento

Cláudio Dias, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2008 | 17h52

A Fundação Casa (antiga Febem) demitiu por justa causa o agente Nilton César Rotondo, que trabalhava na unidade de Araraquara. O servidor foi demitido após processo administrativo instaurado pela Corregedoria Geral da instituição para apurar a participação dele na rebelião ocorrida em 3 de março do ano passado, o motim mais grave registrado no Estado. A Fundação confirmou o que Rotondo incitou, planejou e orientou a realização do motim. A demissão foi feita na semana passada, depois que o servidor encerrou uma longa licença médica. Para Eliete Nogueira, diretora da unidade de Araraquara, a decisão é importante para consolidar um trabalho de ressocialização de jovens infratores na região. "Isso é importante para limpar a imagem da unidade."  O motivo do início da rebelião, segundo a Fundação Casa, seria uma rixa entre o agente e a direção. Ele perdeu o cargo de coordenador e teria forçado os internos a se rebelarem. O delegado Marcos Lacerda, da Corregedoria da Polícia Civil, explica que irá investigar o caso criminalmente. Retondo não quis comentar a decisão, mas deixou escapar sua insatisfação. "De quase 40 adolescentes, só oito me culparam. Isso é estranho", diz o agente que adianta: "Vou tomar as providencias cabíveis." A rebelião durou 15 horas e foi marcada por cenas de selvageria e arremesso de computadores, fogão, armário e uma geladeira pelo telhado. Essa, inclusive, foi a ação mais violenta das cinco rebeliões registradas no Estado.

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