Agentes da CET em SP doam sangue para faltar ao trabalho

Como parte do protesto feito nesta sexta-feira, funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), em São Paulo, da faixa reversível Radial Leste não foi montada pela manhã, levou a cidade a registrar 117 quilômetros de lentidão, número acima da média para o dia e para o horário. Apesar de reduzir às 11h, o tráfego ainda estava mais intenso do que o normal, com 100 quilômetros de filas.

FELIPE TAU, Agência Estado

10 de agosto de 2012 | 11h28

O ato precede uma greve marcada para começar no dia 4 de setembro e foi feito com o objetivo de pressionar a Prefeitura a ceder ao pedido dos marronzinhos. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores no Sistema de Operação de Tráfego do Estado de São Paulo (Sindviários), a categoria quer aumento de 12%, mas a Prefeitura teria oferecido 4,14% na última negociação, no começo de julho. A CET não confirmou os valores.

Segundo o presidente do Sindviários, Reno Ale, 320 dos 460 agentes de rua do turno das 5 horas da manhã faltaram ao serviço nesta sexta, número que corresponde a 70% do efetivo. O dirigente explicou que os funcionários entram em contato com a central sempre que saem às ruas para começar o expediente, abrindo um talão, maneira pela qual é possível constatar o número de ausentes.

Parte dos funcionários está no hemocentro do Hospital das Clínicas e, segundo Reno Ale, devem permanecer por lá até as 14 horas. A doação de sangue, de acordo com o dirigente, foi escolhida por seu valor simbólico. "Queremos mostrar para a população que damos não só nosso suor todos os dias, como estamos dando o nosso sangue também", afirmou "A data-base (1º maio) já passou e não tivemos nenhum reajuste". Pelas leis trabalhistas, o funcionário que doa sangue tem dispensa e não pode ter o dia descontado.

Quanto à falta da faixa reversível na Radial, Reno Ale negou tenha sido um boicote e afirmou que ela não foi inteiramente montada porque não havia efetivo suficiente no momento. "Tanto que um trecho de 1,5 quilômetro foi aberto, a partir da Vinte de Três de Maio", disse. A faixa tem um total de 10 quilômetros, explicou o sindicalista, entre a Avenida Aricanduva e a aproximação com a Vinte e Três de Maio.

Em nota, a CET informou que montou uma operação especial para garantir a normalidade do trânsito, mas não deu detalhes sobre que tipo de operação teria sido adotada. "Devido à paralisação de alguns funcionários no turno da madrugada tivemos pequenos problemas na operação de trânsito no início da manhã. Mas a situação está normalizada", afirmou.

No comunicado, a companhia se diz surpresa com a atitude dos funcionários. "Causa estranheza este movimento de greve acontecer em meio à negociação de reajuste salarial que vem ocorrendo entre o sindicato e a empresa. Vale ressaltar que os agentes de trânsito receberam nos últimos sete anos reajustes superiores à inflação do período medida pelo IPC/Fipe"

O Sindviários diz que a CET tem 4,3 mil funcionários, metade deles agentes de rua, mas não tem previsão de quantos irão aderir à greve prevista para o dia 4.

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