Agricultores aproveitam área da Mata Altântica

Produtores utilizam região sem destruí-la e colaboram para preservação

José Maria Tomazela , Estadão

21 de setembro de 2007 | 17h19

A maior área contínua remanescente de Mata Atlântica do Brasil, um dos mais preciosos ecossistemas do planeta, está no Vale do Ribeira, sul do Estado de São Paulo. Em alguns municípios, a floresta, protegida por leis rigorosas, cobre mais de 80% do território, o que restringe drasticamente as atividades agrícolas.Produtores rurais de 17 municípios da região encontraram uma forma de obter renda e, ao mesmo tempo, preservar a mata. Eles aproveitam as floradas naturais para alimentar abelhas e produzir mel. A apicultura surgiu naturalmente, como opção para agricultores que já se dedicavam ao cultivo do palmito pupunha, produção de flores e frutas, e outras atividades compatíveis com a preservação ambiental. Desde 2002, com a criação da Associação dos Apicultores do Vale do Ribeira (Apivale), a cadeia do mel ganhou impulso na região.Régis BittencourtHoje, já são 280 apicultores, com 2.500 colméias e uma produção anual de 30 mil quilos de mel. As colméias estão espalhadas nos municípios ao longo da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), que liga São Paulo a Curitiba. Começa em Juquitiba, próximo da Grande São Paulo, e vai até Barra do Turvo, divisa com o Paraná.No lado oeste, abrange municípios do Alto Ribeira, como Apiaí e Iporanga, e, no leste, municípios do litoral sul paulista, como Iguape e Cananéia. No fim de agosto, a Apivale assinou convênio com uma companhia de seguros para a construção de um entreposto para processar o mel e seus derivados. O terreno será doado pela Prefeitura de Juquiá e a companhia custeará as obras. Além de uma área para recebimento do produto, o prédio terá uma Casa do Mel - local de extração do mel e seus subprodutos - e uma sala do Serviço de Inspeção Federal (SIF).O convênio inclui a contratação de consultoria para adequação dos produtos às normas exigidas para a certificação do SIF. A obra faz parte do projeto de fortalecimento da cadeia produtiva do mel no Vale, coordenado pela Apivale, com apoio das prefeituras e órgãos do governo federal.Mais colméiasConforme a presidente da Apivale, Maria Luiza França Alvarenga, a nova estrutura permitirá à associação alcançar os objetivos definidos no projeto, que prevêem, até dezembro de 2009, um aumento de 32% no número de colméias, de 63% na produtividade e de 40% na receita bruta das famílias. 'Queremos dobrar o volume de vendas nesse período.'A criação de abelhas é atividade de complementação de renda, diz Maria Luiza. Com o mel a R$ 10 o quilo, uma família pode conseguir, sem grandes investimentos, até um salário mínimo a mais por mês.Maria Luiza é uma pequena apicultora, com 12 colméias muito produtivas. 'De 8 delas tirei 200 quilos de mel.' Só não aumentou o número de caixas porque a associação exige muito do seu tempo. Administradora hospitalar, Maria Luiza trabalhava como executiva num grande hospital de São Paulo. Quando o pai faleceu, deixou para ela e o irmão uma fazenda de gado com 390 hectares no Vale do Ribeira. A propriedade foi vendida.A alternativa escolhida foi a apicultura. Fez contatos com outros apicultores e foi convidada a assumir a Apivale. 'Passamos a elaborar projetos e a buscar parcerias.' Com financiamentos federais para apoiar a agricultura familiar, ela conseguiu kits com caixas-ninho, uniforme e fumegador, entre outros equipamentos para famílias de iniciantes.INFORMAÇÕES: Apivale, tel. (0--13) 3844-1315

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