Agricultores da Bahia têm perdas de R$1 bi por praga em 2 safras

Produtores de algodão, milho e soja da Bahia registraram perdas expressivas da ordem de 1 bilhão de reais em duas safras por conta da infestação de uma lagarta, a helicoverpa, que está afetando a produtividade e gerando mais gastos com defensivos nesta temporada, apontaram especialistas.

Reuters

11 de março de 2013 | 19h49

O Estado já vem lidando com a praga desde a safra anterior, mas recentemente o problema ganhou proporções mais graves.

O prejuízo, que era estimado em cerca de 200 a 300 milhões de reais em 2011/12, incluindo as perdas com produtividade e gastos maiores para com defensivos para combater a lagarta, saltou para 800 milhões de reais na temporada 2012/13, segundo estimativa de associação de produtores do Estado.

Previsão da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa) apontou produtividade de 180 a 200 arrobas por hectare, contra uma média histórica de 250 arrobas por hectare ano.

Além da produtividade menor, que implica em menor rentabilidade, o produtor também acaba gastando mais no trato cultural ao aumentar o número de aplicações de defensivos na tentativa de erradicar a praga.

Os produtores, no entanto, afirmam que o país não tem o agroquímico específico para o combate a esta lagarta e pedem ao governo a liberação de produtos mais eficazes.

"Tem uma explosão populacional, uma epidemia na Bahia. E não tem registro de produto específico para a helicoverpa", afirmou o diretor da Abapa Celito Breda.

Ele lembra a praga antes estava restrita ao milho, mas nos anos recentes acabou se alastrando para o algodão e a soja.

A Bahia é o segundo maior produtor nacional de algodão, atrás apenas de Mato Grosso, e tem a sétima posição em soja e milho.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê queda de 16 por cento na produção estadual, para 403 mil toneladas.

Para o Mato Grosso, líder em algodão no Brasil, a estimativa é de queda de 27 por cento, para 765,2 mil toneladas. As quedas também ocorrem em meio à redução no plantio da pluma, que sofreu severa competição com a soja por área em 2012/13.

CLIMA

O gerente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) explicou que a praga acabou se alastrando mais por efeito do clima.

"O problema foi devido à seca que levou a um desequilíbrio nas (populações) das pragas", disse o gerente da Conab Carlos Bestetti, que viaja nesta semana para avaliar a dimensão dos estragos.

Ele disse que o retorno das chuvas depois de um ano de seca severa acabou fazendo com que os lagartos se desenvolvessem todos ao mesmo tempo. Normalmente, eles se desenvolvem por período mais longo, e os pássaros que se alimentam de insetos ajudam no controle.

Os números recentes da Conab ainda não levam em consideração as perdas oriundas desta praga.

Produtores e governo estiveram reunidos nesta tarde em Brasília para discutir alternativas para combater a infestação.

(Reportagem de Fabíola Gomes e Peter Murphy)

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