Agricultores sem-terra bloqueiam rodovia no RS

Grupo de cem manifestantes bloqueou a passagem de veículos em Boa Vista do Incra, durante esta manhã

ELDER OGLIARI, Agencia Estado

10 de setembro de 2007 | 18h52

Um grupo de sem-terra com cerca de cem manifestantes bloqueou a passagem de veículos pelo quilômetro 20 da RS-481 em Boa Vista do Incra, na região central do Rio Grande do Sul, por diversas vezes durante a manhã de hoje para pedir que o governo apresse a reforma agrária. Os agricultores ficaram no meio da rodovia para exibir faixas e entregar panfletos aos motoristas e, a cada meia hora, liberaram o tráfego, evitando a formação de grandes congestionamentos. O protesto foi encerrado no início da tarde. O grupo não é ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).Segundo um dos líderes da manifestação, Vitor Aldemir da Silva, o objetivo dos bloqueios foi chamar a atenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a necessidade de assentamento das 17 famílias que estão acampadas à beira da rodovia. "Estamos morando há anos sob barracas de lona e vivendo de cestas básicas que chegam tarde e são insuficientes", descreveu. "Precisamos de terra para sair dessa situação". Neste ano, o Incra assentou 365 famílias no Rio Grande do Sul. A meta é elevar este número para 1.280 famílias até o final do ano.A superintendência regional confirma que os sem-terra de Boa Vista do Incra estão na lista de espera e receberão seus lotes à medida em que o órgão conseguir desapropriar ou adquirir terras para a reforma agrária.ResíduosEm Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) participou como apoiador de um bloqueio à BR-386 promovido por sindicatos de trabalhadores, movimentos comunitários e ambientalistas contrários à construção de um depósito de resíduos sólidos numa área rural do município.Centenas de pessoas mantiveram uma barreira na rodovia das 6h30 às 8 horas. Como o trecho é muito movimentado, o engarrafamento chegou a sete quilômetros no sentido Porto Alegre - interior do Estado e a cinco quilômetros no sentido inverso.A central de resíduos sólidos está sendo construída pela Multti Serviços Tecnologia Ambiental para receber e tratar de rejeitos industriais como terceirizada. Os manifestantes temem que o depósito contamine cursos d''''água como o rio dos Sinos e propriedades agrícolas da região, voltadas para a produção de leite, melões e melancias. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) confirma que o projeto da empresa tem licença de instalação por obedecer a legislação ambiental.

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