Água não é boa em 47% das medições

Quase a metade dos 135 pontos analisados em áreas urbanas apesenta índices ruins ou péssimos de contaminação, segundo estudo

CLARISSA THOMÉ / RIO , O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h07

Um estudo conduzido pela Agência Nacional de Águas (ANA), com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mostra que 47% dos 135 pontos monitorados em áreas urbanas têm a qualidade da água péssima ou ruim.

A maioria desses locais (61%) pertence à Região Hidrográfica do Paraná, que inclui cidades como São Paulo, Curitiba, Goiânia e Campinas.

Levando-se em consideração os 1.988 pontos de acompanhamento em todo o País, que incluem áreas rurais e periféricas, 75% têm índice de qualidade de água (IQA) considerado bom.

Esse índice leva em conta elementos como coliformes (bactérias indicadoras de contaminação por esgoto doméstico), fósforo, oxigênio dissolvido, turbidez, pH.

O principal fator para a baixa qualidade da água é o esgoto, afirma Marcelo Pires, gerente de Estudos e Levantamentos da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA.

"O processo de urbanização que ocorreu no Brasil nos últimos 50 anos não foi acompanhado pelo saneamento. A situação crítica que a gente vive nas áreas urbanas é consequência disso", afirmou.

Além desse diagnóstico, o levantamento traz pela primeira vez uma análise de tendência da qualidade da água, feita a partir de dados coletados por dez anos, no período entre 2001 e 2010. Em 92 localidades de monitoramento foi possível observar alguma tendência - em 47 pontos tem havido melhora na qualidade da água e em 45 deles, esse índice piorou.

O IQA aumentou nos pontos de acompanhamento que estão próximo aos grandes centros urbanos. Dos 47 locais, 24 estão em São Paulo.

"A gente identificou que em algumas bacias há melhora por investimentos em saneamento básico. Isso ocorre no Rio Tietê, em São Paulo, no Rio das Velhas, em Minas Gerais, e no Rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro", explica Pires.

Por outro lado, o IQA apresentou queda em regiões rurais, como a bacia do Rio Ivinhema, no Mato Grosso do Sul. "São áreas em que houve crescimento muito grande da população e da produção agroindustrial, e os investimentos em saneamento não acompanharam", explicou o pesquisador.

O estudo chama atenção para o fato de apenas 10% do volume total de esgoto tratado no Brasil incluir a remoção do fósforo, presente em detergentes domésticos, por exemplo, que é um dos responsáveis pelo fenômeno da eutrofização - processo caracterizado pelo aumento de nutrientes nas águas, que provoca o crescimento de algas e plantas aquática. "A eutrofização afeta a biodiversidade aquática e a vida humana, causando prejuízos ambientais e econômicos", diz o relatório.

Entre os casos recentes citados, estão a proibição da pesca nos rios da Velha e São Francisco (MG), depois que a presença de cianobactérias foi confirmada, em 2007; e a interdição para banho e pesca do Reservatório Foz de Areia, na Bacia do Rio Iguaçu (Paraná) em razão do surgimento de algas tóxicas.

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