Águas baixam no rio Itajaí e resgate enfrenta lama e destruição

Uma semana depois do estado de emergência, Santa Catarina já conta 109 mortos e 79 mil desabrigados

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

29 Novembro 2008 | 14h51

Uma semana depois de o governador catarinense, Luiz Henrique da Silveira, ter declarado estado de emergência no Estado devido às chuvas que já deixaram pelo menos 109 mortos, 19 desaparecidos e quase 79 mil desabrigados, a situação ainda é bastante grave na região. Embora o Rio Itajaí-Açu, o mais importante do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, tenha voltado ao seu nível normal neste sábado, 29, é a lama que causa problemas para os moradores.    Veja também: Saiba como ajudar as vítimas da chuva IML divulga lista de vítimas identificadas SC pode ter mais chuva e deslizamentos Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Blog Ilha do sem Blumenau  Blog Desabrigados Itajaí  Blog Arca de Noé  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas          O rio se encontra agora com cerca de 4 metros, uma semana depois de subir mais de 7,5 metros e alagar milhares de casas e deixar cerca de 78 mil desabrigados no Estado. Segundo a Defesa Civil do Estado, as águas baixaram totalmente em todas as localidades, mas a vazão nos municípios que ficam na faixa litorânea de Santa Catarina foi mais lenta. A maré alta dificulta o escoamento da chuva pelos rios ao mar em áreas como Itajaí e São Francisco do Sul, segundo a Defesa civil. "Em consequência, o solo, que já está encharcado, leva mais tempo para absorver a água restante, explica o subtenente da Defesa Civil do Estado, Edson Baú da Silva. Com o volume de chuvas, que chegou a 304 mm, diminuindo, o que resta agora são toneladas de lama, móveis destruídos nas calçadas e um acúmulo de lixo, que se espalham pelas cidades atingidas. Em Itajaí, o prefeito Volnei Morastoni ficou chocado ao percorrer as ruas da cidade. "O cenário é semelhante a um estado de guerra. Lama nas ruas e um acúmulo de lixo em cercas, terrenos baldios e a marca da sujeira das águas nos muros e casas. Estamos trabalhando em três frentes de limpeza para retirar todo esse lixo". Segundo Morastoni, a prefeitura pretende recolher todo o lixo comum espalhado pelas ruas até a próxima segunda-feira, dia 1. Para a limpeza dos entulhos formados pelas enchentes e todo o material atingido e descartado pela população, serão necessários cerca de 11 mil viagens de caminhões, o que vai demorar vários dias, segundo o prefeito. A terceira frente de trabalho está incumbida de retirar os corpos de animais da população, que estão espalhados pela cidade. "O rio já baixou 100%, a energia elétrica e o fornecimento de água também está normalizado e agora o trabalho é o de atender as cerca de 1.500 famílias que ainda estão desabrigadas, que perderam tudo", diz. Estimativas da prefeitura relatam que 90% da população já conseguiu voltar para suas casas. "Ainda não temos um número total de pessoas que perderam tudo", explica o prefeito. "A maioria dessas pessoas morava em áreas de risco, como nas áreas ribeirinhas, e ainda não temos uma solução para esses moradores, pois eles não poderão retornar para suas casas". Uma boa notícia para a população da cidade é a inauguração de um dos berços do Porto de Itajaí, que emprega cerca de 15% dos moradores do município, no próximo dia 15, segundo o prefeito. "As obras já estavam em construção e esperamos que o Porto volte a funcionar daqui duas semanas", estima Morastoni.   Foto: Clayton de Souza/AE

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