Ai Weiwei diz que censores removeram sua conta em microblogue

Por quase duas horas no domingo, o artista dissidente Ai Weiwei pôde manter uma conta em um microblogue como o Twitter, o weibo, levantando por pouco tempo a esperança de que o governo chinês havia relaxado seu rígido controle da comunicação online.

SUI-LEE WEE, REUTERS

19 Março 2012 | 10h48

O primeiro post de Ai no microblogue dizia: "Testando. Ai Weiwei. 18 de março de 2012. "

A conta do artista chinês na plataforma de microblogue mais famosa da China, a operadora Sina, atraiu 10.680 seguidores nesse breve período, afirmou Ai Weiwei à Reuters, na segunda-feira, incluindo o comentário em tom animado: "O momento chegou. Os céus mudaram na China."

Pouco depois, no entanto, a conta estava inacessível, aparentemente apagada por censores do governo.

Ai é um proeminente crítico social que foi detido sem acusação no ano passado por 81 dias até a sua libertação condicional em junho. Ele disse que usou o seu número de seguridade social para registar a conta no microblogue depois de descobrir que seu nome, inesperadamente, não estava mais bloqueado.

"Os controles são muito fortes," Ai, disse à Reuters por telefone. "Eles (o governo) são muito inseguros, eles não estão prontos para qualquer tipo de mudança."

Não ficou claro o que causou a brecha na "Grande Firewall" da China, já que operadores de microblogue, como a Sina, cumprem ordens do governo e monitoram conteúdo, bloqueiam e removem comentários considerados inaceitáveis ??ou muito delicados.

A Sina não respondeu às diversas ligações para contato.

CENSURA

A China filtra e bloqueia fortemente a Internet e sites estrangeiros de redes sociais como Facebook e Twitter, temendo que o acesso irrestrito poderia levar à instabilidade no país.

Ai disse que sua conta foi excluída após a meia-noite de segunda-feira, substituída por uma mensagem que dizia: "Erro. usuário Inválido da Weibo ".

Ele disse que esta foi a primeira vez que ele conseguiu criar uma conta Weibo. Ai é ativo no Twitter e tem mais de 131.000 seguidores.

Ele é um crítico ferrenho do Partido Comunista e já se pronunciou sobre vários temas, desde a atribuição do Prémio Nobel da Paz em 2010 ao dissidente chinês Liu Xiaobo à restrição da Internet no país.

Mais conteúdo sobre:
CHINACENSURAAIWEIWEI*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.