Aids recua em grandes cidades mas avança para interior do país

O número de casos de Aids registrados em 10 anos no país dobrou nos municípios pequenos e caiu nos grandes centros urbanos, revelando que a epidemia da doença caminhou para o interior do Brasil, apontou o Boletim Epidemiológico Aids/DST 2009, divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde.

REUTERS

26 de novembro de 2009 | 16h08

Segundo o estudo, os grandes centros urbanos do país, onde estão concentrados 52 por cento dos casos de Aids, registraram queda de 15 por cento na taxa de incidência da doença entre 1997 e 2007. Neste período, o número de casos em municípios com menos de 50 mil habitantes dobrou.

Em 1997, o registro de Aids nas cidades com menos de 50 mil habitantes era cerca de oito vezes menor do que a verificada em municípios com mais de 500 mil pessoas. Em 2007, essa relação caiu para três vezes, informou o boletim.

"Temos uma epidemia estabilizada, porém em patamares elevados. Apesar do aumento em municípios menores, a queda na região Sudeste é uma questão importante", disse à Reuters o chefe da unidade de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Gerson Pereira.

Porto Alegre lidera a lista dos 100 municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes que registraram maior taxa de incidência da doença, dos quais os 20 primeiros estão na região Sul.

A tendência de crescimento da Aids nas cidades menores e de queda nas maiores é registrado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No entanto, segundo o relatório, Norte e Nordeste apresentam perfil diferente, com aumento de incidência da doença.

O boletim revelou que de 1980 até junho de 2009, segundo dados preliminares, foram registrados 544.846 casos de Aids no Brasil. Neste período, ocorreram 217.091 mortes em decorrência da doença.

Segundo o estudo, são notificados anualmente entre 33 mil e 35 mil novos casos de Aids no país. Estima-se que há 630 mil pessoas no país infectadas pelo vírus HIV, causador da Aids. Uma pessoa infectada pelo HIV pode viver com o vírus por um longo período sem apresentar nenhum sintoma ou sinal da doença.

A análise foi realizada pelo Ministério da Saúde com base num panorama dos casos de Aids nos 4.867 municípios brasileiros com, pelo menos, um registro da doença.

(Por Hugo Bachega)

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