Ainda não conhece a Leblon? Os estrangeiros, já

Apesar de brasileira, bebida é engarrafada na França e chega ao nosso mercado só em setembro

Flávia Pinho, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2007 | 06h13

Em setembro, chega ao mercado nacional uma nova cachaça, a Leblon. Trata-se de um blend de três pingas mineiras, filtradas e engarrafadas na França (isso mesmo, na França), que não deve custar menos de R$ 40 a garrafa. Detalhe: americanos de Nova York, Flórida e Califórnia já conhecem a Leblon há mais de um ano, onde ela é vendida a US$ 30 dólares. O dono da marca, o empresário Roberto Stoll, admite que, apesar do lançamento no Brasil, seu foco continua sendo a carreira internacional. ''''O potencial lá fora é enorme. Drinques à base de cachaça estão na moda, mas grande parte das bebidas consumidas por lá ainda é de baixa qualidade'''', explica. Daí a preocupação com a sofisticação do produto. A filtragem em Cognac, a cargo do mestre em destilados Gilles Merlet, assim como a garrafa estrangeira, fazem parte da estratégia de marketing para aproximá-la de outros destilados que gozam de mais prestígio. Mas ainda é preciso investir pesado para vencer o preconceito. Um time de 25 ''''embaixadores'''' da Leblon circula por bares, restaurantes e clubes da moda, promovendo degustações e treinando bartenders na arte de fazer caipirinha dos mais variados sabores. A Leblon trilha um caminho que pode ser comparado ao da Sagatiba, lançada na capital inglesa há dois anos pelo empresário Marcos Moraes - e hoje a marca mais conhecida na faixa das chamadas cachaças premium. Atualmente, a Sagatiba tem escritórios internacionais nos Inglaterra, EUA, Holanda e Itália, e pode ser comprada em 14 países. Outra que vai na carona é a Fulô, cachaça produzida em Nova Friburgo (RJ), que pertence à multinacional de bebidas Diageo. O novo rótulo, Fulô 1827, envelhecido em barris de madeiras brasileiras, como jequitibá e pau-brasil, custa entre 40 e 60 reais. ''''Até 2008, vamos entrar no mercado americano'''', anuncia o diretor de marketing, Eduardo Bendzius. Apesar do entusiamo, o mercado premium ainda representa uma pequena parte das cachaças exportadas. Segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça , dos 14,5 milhões de litros exportados em 2006, 50% se referem à bebida a granel. Na outra metade, que já sai do país engarrafada, reinam marcas tracionais (e bem mais baratas), como Velho Barreiro, 51 e Ypióca.

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