''Ainda não se sabe por que essa cepa prefere adultos jovens''

Microbióloga explica que a ''E. coli'' do atual surto na Alemanha pertence a um grupo que costuma[br]causar casos esporádicos

Alexandre Gonçalves, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2011 | 00h00

ENTREVISTA

Beatriz Guth, professora-associada de microbiologia da Unifesp

Entre 2001 e 2005, a equipe da professora Beatriz Guth, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), identificou em São Paulo 13 casos graves de infecção por E. coli, parecidos aos observados na Europa. Com uma diferença: eram esporádicos e afetaram crianças. Ela falou ao Estado sobre o atual surto.

Qual é a particularidade da bactéria que tem causado o surto?

Ela parece reunir características de dois grupos patogênicos: por um lado, produz uma proteína tóxica chamada Shiga; por outro, coloniza o intestino de forma muito agressiva.

É comum esse tipo de bactéria infectar adultos?

Não. As E. coli entero-hemorrágicas afetam idosos e crianças de, no máximo, 5 anos. Em até 10% dos casos, evolui para insuficiência renal, que costuma aparecer dias após cessar a diarreia. Não se sabe por que a combinação de genes da cepa que surgiu na Europa fez com que ela preferisse adultos jovens.

Como surgem novas cepas?

Essas bactérias recebem, trocam ou perdem material genético relacionado à virulência em DNA móvel.

Já houve cepas tão virulentas?

Sim. Houve a cepa O157:H7, que causou surtos semelhantes no Japão, Canadá e EUA. Normalmente, encontramos casos esporádicos. Mas, periodicamente, acontecem os surtos.

Algo explica a emergência de cepas mais virulentas?

É difícil apontar uma causa específica. Há indícios de que essa cepa possui genes de resistência a antibióticos. Talvez o uso indiscriminado dessas substâncias tenha feito emergir uma cepa resistente aos remédios.

Sabemos como é transmitida?

Ainda não. De um modo geral, ruminantes costumam ser os principais reservatórios de bactérias que produzem a proteína toxina. Alimentos de origem animal ou vegetal - contaminados com fezes - podem transmitir a doença. Ela também pode ser transmitida de pessoa a pessoa se não se tomam as medidas adequadas de higiene.

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