Ajuda alimentar à Coreia do Norte não deve ser politizada--ONU

Uma autoridade da ONU fez um apelo às potências regionais nesta segunda-feira para que deixem a política de lado em meio à crescente crise alimentar da Coreia do Norte, dizendo que a pequena ajuda ao país já tem feito diferença.

JEREMY LAURENCE, REUTERS

24 de outubro de 2011 | 11h44

A crônica escassez de alimentos assola a Coreia do Norte desde o final de 2008 por conta da mudança nas políticas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que suspenderam a ajuda alimentar em resposta ao programa nuclear do Norte e aos problemas no monitoramento das doações.

Acredita-se que a China também cortou drasticamente a ajuda alimentar ao seu aliado, segundo relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso Americano divulgado em junho.

A chefe da seção humanitária da ONU, Valerie Amos, disse a jornalistas em Seul ser fundamental que a questão da ajuda humanitária não seja politizada.

"Você não julga as pessoas com base no ambiente político em que estão vivendo", afirmou depois de visitar a Coreia do Norte na semana passada para avaliar a situação.

Valerie disse que a Coreia do Norte havia sofrido um "déficit alimentar" de cerca de 1 milhão de toneladas de um total necessário de 5,3 milhões de toneladas em alimentos nos últimos anos. A ONU estima que mais de 6 milhões de norte-coreanos precisem urgentemente de comida.

A Rússia e a União Europeia são os maiores doadores.

A Coreia do Norte foi vítima de uma fome devastadora nos anos 1990, que matou cerca de 1 milhão de pessoas, e tem sofrido de déficits crônicos em alimentos devido a políticas agrícolas mal-administradas, uma série de desastres naturais e a sanções impostas por conta de seu programa nuclear.

Oficialmente, a política norte-americana separa a ajuda alimentar dos interesses estratégicos, mas analistas dizem que Washington é conhecido por usar a ajuda alimentar para garantir a participação e crescente cooperação nas negociações em segurança.

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