Alckmin agora elogia líderes do movimento

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), amenizou nesta segunda-feira o discurso dirigido aos manifestantes e disse que está "aberto ao diálogo" ao ser questionado sobre a possibilidade de redução da tarifa do transporte urbano. "O reajuste já foi dado abaixo da inflação, mas estamos sempre abertos ao diálogo", afirmou pela manhã, em Campinas (SP), horas antes do início do protesto marcado para a capital paulista.

GUSTAVO PORTO E RICARDO BRANDT, Agência Estado

18 de junho de 2013 | 09h00

Alckmin, que na semana passada classificou os manifestantes como "vândalos" e "baderneiros", destacou a decisão de proibir o uso de balas de borracha durante manifestações públicas e, por duas vezes, elogiou os líderes do Movimento Passe Livre (MPL).

"Queria fazer um elogio às lideranças do movimento e também à segurança pública e à Polícia Militar (PM)", disse. De acordo com ele, após a reunião do secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, e do comandante-geral da PM, Benedito Meira, com integrantes do movimento na manhã desta segunda-feira ficou acertado que durante os novos protestos o comando da PM ficará em contato via rádio com os líderes das manifestações. "Se estabeleceu que os nossos oficiais acompanharão as lideranças com rádio", afirmou Alckmin, para quem a primeira reunião com integrantes do MPL foi positiva. "Foi uma reunião muito madura, muito proveitosa."

Os representantes do movimento, porém, não adiantaram o trajeto a ser percorrido pelos manifestantes. O governador de São Paulo disse que o governo do Estado só tomaria conhecimento do trajeto da nova passeata no momento da manifestação, que teve início às 17 horas. "Acho que podemos dar um exemplo de que preservamos o direito das pessoas de manifestação, sem prejuízo para ninguém", disse. Alckmin afirmou ainda que os protestos "fortalecem a democracia" desde que não seja prejudicada a integridade física da população e que não haja depredação de bens públicos e privados.

Apesar de dizer que o governo de São Paulo está "aberto ao diálogo", ele voltou a ressaltar que o reajuste concedido no Estado foi abaixo do índice de inflação e que ele deveria ter ido para 3,30 reais. Afirmou ainda que o governo estadual adiou o aumento a pedido da União. "Não fizemos o reajuste (em janeiro) a pedido do governo federal. Durante seis meses o governo de São Paulo bancou o subsídio."

''Ação cirúrgica''

Na avaliação de secretários e políticos ligados ao governador, a atuação ostensiva da PM no protesto da quinta-feira, 13, deu ainda mais força aos manifestantes. Este seria, portanto, um dos motivos que levou à proibição do uso de balas de borracha e à mudança no discurso de Alckmin. Além de proibir a truculência policial, a administração estadual, ao pôr oficiais próximos aos líderes do movimento, pretendia "agir de forma cirúrgica" caso algum excesso acontecesse. A ideia é, segundo um secretário estadual, "garantir que a manifestação ocorra da melhor maneira possível." (Colaborou Tiago Dantas). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tudo o que sabemos sobre:
protestotarifasAlckminelogios

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.