Alemães devem atuar contra o racismo, diz Merkel

Chanceler discursou em sinagoga para marcar os 70 anos de ataques anti-semitas.

Da BBC Brasil, BBC

09 Novembro 2008 | 17h09

Durante uma cerimônia para marcar os 70 anos dos ataques contra judeus na Alemanha conhecidos como Kristallnacht (noite dos cristais), neste domingo, a chanceler do país, Angela Merkel, afirmou que todos os alemães devem atuar contra o racismo. O evento aconteceu na maior sinagoga de Berlim, e Merkel disse que os alemães "não podem se calar" diante do anti-semitismo. A Kristallnacht, uma referência em alemão às vidraças de sinagogas, lojas e casas de judeus quebradas entre os dias 9 e 10 de novembro de 1938, é considerada por muitos o ponto de partida do Holocausto. Nazistas saquearam estabelecimentos comerciais e residências judias, além de queimar sinagogas, enquanto policiais e bombeiros apenas assistiam às cenas de vandalismo. Mais de 90 judeus foram assassinados durante aquela noite, e cerca de 30 mil homens de origem semita foram mandados para campos de concentração. Nos anos que se seguiram, milhões de pessoas morreram nas mãos do regime nacional-socialista, entre eles, estima-se que 6 milhões de judeus. 'Faça Algo' "A indiferença é o primeiro passo para pôr em risco valores essenciais", disse Merkel na cerimônia no Conselho Central dos Judeus, na sinagoga da Rykestrasse, em Berlim. "Xenofobia, racismo e anti-semitismo nunca pode ganhar uma nova oportunidade na Europa." A sinagoga de Rykestrasse foi um dos locais atacados durante a Kristallnacht. Recentemente, ela foi completamente reformada. "Não houve uma enxurrada de protestos contra os nazistas, mas silêncio, dar de ombros e olhares para o outro lado, desde cidadãos comuns até grandes parcelas das igrejas", disse Merkel neste domingo. A chanceler disse ainda que o povo não pode ficar em silêncio quando cemitérios judeus são profanados e rabinos insultados nas ruas. Na noite de domingo, aconteceu também um concerto ao ar livre no aeroporto de Tempelhof, em Berlim, batizado de "Tu Was", ou "Faça Algo". O organizador do evento, o violinista britânico Daniel Hope disse ter se inspirado com a leitura de um livro sobre os acontecimentos de 1938 e ao perceber que não havia qualquer evento marcado além da cerimônia oficial. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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