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Luiz Horta
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Algo novo no Velho Mundo

O Languedoc-Roussillon está em polvorosa, respondendo com qualidade à má fama do passado de seus vinhos e da uva Carignan. Velhas vinhas, como a da foto ao lado, Muscat de 80 anos de idade, e solos pedregosos são a fórmula

Luiz Horta,

23 Abril 2009 | 09h25

De trem rápido TGV, o Languedoc está a menos de quatro horas de Paris. É o único vínculo simbólico entre este "país" do sul e a França. Certas regiões vinícolas são tão definidas que seu nome já evoca um estilo. Pense em Chablis. Imediatamente a memória registra um vinho branco muito mineral, com acidez e cheio de eletricidade. Mas pense em Languedoc. A região é tão ampla, com algo mediterrâneo, influências atlânticas. Nem provençal nem espanhola, não forma uma imagem mental imediata. Apesar de ser uma das maiores regiões vinícolas do mundo, com quase 300 mil hectares plantados, não se destacara até hoje pela qualidade. A fama de produtora de vinhos medíocres, origem dos produtos baratos que abastecem a França, grudou na região. Os solos contaminados por pesticidas e as cooperativas que eram fábricas de vinhos em série e sem nenhuma expressão pioraram essa imagem. Embora tenha uma variedade impressionante de paisagens e solos, uma interessante lista de uvas autóctones e alguns vinhos muito bons, o Languedoc não conseguia vencer o preconceito. A recuperação do nome começou duas décadas atrás. O interesse da Lafite (que produz hoje os elegantes Domaine d’Aussières em Narbonne) começou a lustrar a fama languedociana. Também está lá, no Roussillon, o maior produtor biodinâmico da Europa, o Domaine Cazes. A uva mais plantada é uma cepa difícil, a Carignan. Muito produtiva, excessivamente ácida, foi vilipendiada como intragável, sendo domada só recentemente em solo xistoso, como nos deliciosos produtos do Domaine Rimbert, de Saint Chinian-Berlou. Quando começou a aparecer nos cortes caros e valorizados do Priorato catalão, despertou atenção. As vinícolas são, na maioria, muito simples, modestas empresas e cooperativas. Levam o nome de château, mas os châteaux locais não passam de um galpão ou mesmo a própria residência familiar. Guardam, no entanto, surpresas. Ainda há muito a fazer. As denominações como Pic Saint Loup (com seus potentes vinhos maduros com fruta límpida como os do Domaine L’Hortus e os Château de Lascaux), Maury (os singulares vinhos fortificados envelhecidos no sol) já vão dizendo que o Languedoc não é mais um grande garrafão de vinho barato. Saint-Jean de Minervois François não queria que seu nome fosse mencionado. "Somos um grupo, as uvas são de todos". Ele planta seu minúsculo 1,5 hectare com Muscat de Petits Grains. É um impressionante solo de seixos rolados, pura pedra, de onde saem saborosos e elegantes vinhos doces. (Sem importador) Cap de Leucate Cooperativa de beira de estrada, vinho provado em pé, todas as condições para um fracasso. Mas o Rivesaltes Macabéo La Dame de Cézelly (na foto, David Cézelly), um fortificado, com toques minerais e excelente acidez, surpreendeu. (Sem importador) Vinícola Mas Amiel Vinhos de exceção, o maior produtor da AOC Maury estagia os vinhos fortificados durante um ano ao sol, em garrafões. O resultado é próximo aos vinhos Madeira, com capacidade infinita de envelhecimento. A vinícola está vendendo, entre outras, sua safra 1980... ainda viva e com deliciosa acidez Château de Valcombe Dominique e Bénédicte, a família Ricome, orgulhosos vignerons-independents da AOC Costières de Nimes, produzem sofisticados cortes de Syrah e Grenache, como o delicioso Cuvée Prestige e o classudo Garance. São vinhos mais modernos, embora a propriedade seja do século 18. Os filhos do casal cuidam dos vinhedos. (Importado pela Tire-Bouchon) Château de La Bastide Pai português, filho francês... e vinho europeu. A família Cabeceiro gere o château em Corbières, com seus excelentes vinhos, delicioso Viognier e cortes de Syrah aromáticos e intensos. Há um toque nitidamente do Rhône nos seus produtos. Destaque para o Cuvée Eidos, potente, com cárater de Crozes-Hermitage e longa guarda. (Importado pela Decanter) Château d’Or et de Gueules A animada produtora Diane de Puymorin produz organicamente e quer convencer os vizinhos a banir os químicos. Consegue grande expressão na sua Carignan de vinhas velhas, vinhedos com até 80 anos de idade. O Trassegum tem corpo e complexidade, ótima acidez. Vinho muito elegante, com traços típicos da garrigue, a vegetação campestre do Languedoc. (Importado pela Premium) Viagem a convite de Sud France

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