Alheios à crise, candidatos preparam campanha em Honduras

Como se Honduras não estivesse imersa em uma de suas piores crises políticas após o golpe de Estado, os dois principais candidatos presidenciais preparam suas campanhas para as eleições de novembro, cuja validade é questionada.

MARCO AQUINO, REUTERS

29 Julho 2009 | 19h03

Porfirio Lobo, candidato do Partido Nacional, opositor de Manuel Zelaya, e Elvin Santos, do Partido Liberal, do presidente deposto, estão preparando propaganda eleitoral, apesar de a eleição correr o risco de ser ignorada pela comunidade internacional, que não reconhece o governo interino.

Na sede de campanha de Lobo, os planos estão adiantados para seduzir os 4,5 milhões de eleitores que foram convocados antes de Zelaya ser deposto.

"Acredito que, se é um governo que surja da vontade do povo, a comunidade internacional deve reconhece-lo", disse Lobo à Reuters, que, assim como Santos, se prepara para lançar oficialmente a campanha no fim de agosto.

A situação, no entanto, não é tão simples. Os Estados Unidos, aliado histórico de Honduras, condenou o golpe de Estado e está aplicando lentamente medidas de pressão contra o governo interino chefiado por Roberto Micheletti. Mas Washington ainda não se pronunciou sobre o processo eleitoral no país.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual os Estados Unidos fazem parte, e o Mercosul já manifestaram que não reconhecerão um novo governo que venha a ser eleito sem que Zelaya retorne à Presidência.

"Ninguém pode vir de tão longe e nos dizer que não vai reconhecer o processo", disse Santos, ex-vice-presidente de Zelaya que se distanciou do mandatário quando ele aproximou-se da esquerda e se aliou ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

"O processo eleitoral está totalmente desvinculado dos eventos de 28 de junho (data do golpe) e foi convocado com antecedência", acrescentou.

OPOSIÇÃO LEVA VANTAGEM

Zelaya, um empresário liberal, irritou muitos em Honduras ao aliar-se a Chávez, e alguns creem que sua insistência em realizar um plebiscito para a possibilidade de reeleição presidencial se deve à influência do presidente venezuelano.

O tribunal eleitoral também parece ignorar o conflito e já sorteou a localização dos candidatos nas cédulas de votação.

Lobo lidera as intenções de voto, com 42 por cento da preferência, enquanto Santos detém o segundo lugar, com 37 por cento, de acordo com pesquisa feita pela CID Gallup, realizada em julho.

Uma proposta de mediação do conflito apresentada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, prevê adiantar as eleições para 28 de outubro, com a presença de observadores internacionais.

(Reportagem adicional de Gustavo Palencia)

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