Aliado dá camiseta de Lula e caracteriza campanha no Rio

Brindes do vereador Luiz Cláudio de Oliveira tinham o logotipo de seu projeto na Rocinha e a frase 'Lula e Cabral contra a desigualdade social'

Luciana Nunes Leal, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2010 | 00h00

Depois de bandeiras de partidos e carros de som que animaram a inauguração de um hospital estadual no domingo, uma farta distribuição de camisetas com a inscrição "Lula e Cabral contra a desigualdade social" marcou ontem a visita do presidente da República à favela da Rocinha. Os brindes eram presente do vereador Luiz Cláudio de Oliveira, o Claudinho da Academia, do PSDC.

O nome do vereador e o logotipo do projeto social que desenvolve na Rocinha também estavam estampados nas camisetas. Claudinho foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por suposta coação a eleitores na favela e suspeita de receber apoio do chefe do tráfico no morro. O vereador nega e diz ter sido eleito graças à atuação na comunidade.

Em discurso durante a inauguração do complexo esportivo da Rocinha, construído com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula citou a existência de bandidos nas favelas cariocas, mas lembrou que eles existem também nos bairros ricos, e criticou o preconceito contra a população pobre. "É verdade que na Rocinha deve ter algum bandido. É verdade que deve ter algum bandido no Pavão-Pavãozinho, no Alemão. Mas quem disse que não tem bandido nos prédios chiques de Copacabana? O que é grave é que os perseguidos são sempre os pobres dos morros, e não os ricos."

O presidente fez referência ao fato de não ter diploma universitário e criticou os antecessores. "Uma parte da grã-finagem deste país não aceita que um metalúrgico seja presidente da República e muito menos que seja mais aceito do que eles. Aí é mortal, porque eles passaram a vida inteira dizendo que eram eles que sabiam governar, que sabiam gerenciar."

Lula passou quase três horas na Rocinha, acompanhado da pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, do governador Sérgio Cabral (PMDB), que tentará a reeleição, entre outras autoridades.

Do alto do palanque, o presidente avistou um jovem com deficiência e determinou que fosse providenciada uma cirurgia de reparação do lábio leporino. "Se fosse uma pessoa rica, já estava com a boca boa. Como é pobre, não está." Jailson Marinho, de 15 anos, ficou surpreso. "Dei meu telefone para eles", contou o garoto, que deixou os estudos na 4ª série do ensino fundamental e promete voltar às aulas "após a cirurgia".

Dilma Rousseff foi recebida com exaltação. "Rocinha presente, Dilma presidente", gritavam os moradores. Os investimentos do PAC na favela somam R$ 231 milhões.

COLABOROU ADRIANA CHIARINI

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