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Alimentos desaceleram, mas IPCA-15 sobe 0,97%

Por Nathália Ferreira

REUTERS

22 de fevereiro de 2011 | 11h18

SÃO PAULO, 22 de fevereiro - A inflação medida pelo IPCA-15 trouxe a boa notícia de desaceleração dos alimentos, mas o índice acelerou em fevereiro pressionado por educação e por altas de preços mais disseminadas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 subiu 0,97 por cento em fevereiro, após alta de 0,76 por cento em janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, uma semana antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para definir o juro básico do país.

A mediana das projeções de analistas consultados pela Reuters apontava alta de 0,99 por cento do IPCA-15, com previsões de 0,95 a 1,08 por cento.

Em 12 meses, o índice acumula alta de 6,08 por cento, ante uma meta anual de inflação de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais.

O grupo Educação teve a maior contribuição positiva para o índice, de 43 por cento, com aumento de 5,88 por cento em fevereiro, após alta de apenas 0,27 por cento em janeiro. Segundo analistas, esse avanço já era esperado.

"Esse começo de ano tem muitos fatores sazonais afetando alguns grupos componentes, tem Educação subindo 5,88 por cento e contaminando as medidas dos núcleos, serviços sendo afetados", destacou Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets.

De acordo com André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, trata-se da maior alta do grupo Educação para um mês de fevereiro desde 2007.

A boa notícia veio do grupo Alimentos, com desaceleração expressiva para alta de 0,57 por cento em fevereiro, ante 1,21 por cento em janeiro. Segundo Perfeito, é a segunda menor variação do grupo para o mês de fevereiro desde 2007.

"Isso vai dar uma munição e tanto para o BC na semana que vem", afirmou o economista. "Acho que o BC semana que vem vai usar essa questão da inflação para dar um caráter baixista no juro, por conta das outras medidas", completou ele, referindo-se às medidas macroprudenciais e ao ajuste fiscal.

Desde o final do ano passado o governo adotou medidas como o aumento do compulsório e encarecimento do crédito de longo prazo para pessoa física, e anunciou cortes no Orçamento de 50 bilhões de reais. Isso sem contar a elevação da Selic em 0,50 ponto porcentual em janeiro pelo Copom.

Mas os especialistas destacam que a alta dos preços cada vez mais se mostra disseminada.

"Apesar de ter vindo em linha com nossas previsões, o resultado geral é um pouco longe de ser positivo. O setor de serviços continuou a níveis espantosos, portanto reforçando a visão de que o processo inflacionário não se limita aos preços de alimentos", afirmou Flávio Serrano, economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, em relatório.

No IPCA-15, o grupo Transportes teve avanço de 1,04 por cento em fevereiro ante 0,89 por cento em janeiro, tendo como maior responsável o reajuste nas tarifas de ônibus urbanos. O grupo Despesas Pessoais teve alta de 1,17 por cento em fevereiro, de 0,74 por cento em janeiro; enquanto o grupo Habitação teve avanço de 0,28 por cento, ante 0,60 por cento.

"(A inflação) ainda está em um nível relativamente alto, mas a perspectiva é que a partir de março volte a um patamar mais normal e poderemos ter, a partir das medidas macroprudenciais que o BC já adotou e da perspectiva de um ano com ajuste fiscal profundo, melhor possibilidade para avaliar cenário prospectivo de inflação", afirmou Rostagno, da CM.

Por enquanto, disseram especialistas, o cenário traçado para a Selic ainda não mudou. A projeção do mercado para o juro básico no final do ano é de 12,50 por cento, segundo o relatório semanal Focus do Banco Central.

PETRÓLEO

Outro ponto que pode alterar as perspectivas para inflação é a alta do petróleo esta semana devido às turbulências políticas no Oriente Médio.

"Talvez tenhamos chegado num patamar de acomodação do grupo Alimentação, no entanto, esses recentes distúrbios no Oriente Médio estão jogando commodities para cima. Essa (desaceleração) talvez se perca levando em conta o cenário prospectivo. Com petróleo subindo, fertilizantes sobem e lá na frente alimentos sobem", explicou Perfeito, da Gradual.

Já Rostagno lembrou que a alta do petróleo também pode ter um efeito contrário na inflação.

"Até um certo nível que o petróleo suba, ele favorece uma alta da inflação, mas a partir do momento que atinge patamares capazes de comprometer o consumo americano, a confiança do consumidor americano, isso começa a pesar contra a alta de preços, e o mercado começa a enxergar como um fator desinflacionário", afirmou Rostagno. "Pode minar o processo de recuperação (dos EUA) em curso."

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