Alimentos pressionam e IPCA sobe 0,41%

No acumulado do ano, índice acumula variação de 3,93%; centro da meta definida pelo BC é de 4,5%

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 Dezembro 2009 | 00h00

A pressão dos reajustes nos alimentos levou a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a subir para 0,41% em novembro, em comparação ao mês anterior, segundo o IBGE. A taxa foi a maior apurada para um mês de novembro desde 2005, mas a alta é considerada pontual e foi recebida com tranquilidade por analistas econômicos. No ano, o índice acumula variação de 3,93% e em 12 meses, de 4,22%.

O centro da meta de inflação definida pelo Banco Central para 2009 é de 4,5%. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, salientou que, em novembro, a taxa em 12 meses voltou a subir - em outubro tinha chegado a 4,17% -, o que não ocorria desde março, mas avalia que a pequena aceleração não configura uma tendência para o indicador. Ela afirmou que são poucas as pressões já conhecidas para o IPCA de dezembro.

"A nosso ver, a inflação elevada em novembro é pontual e não está associada a uma piora do cenário de inflação", afirma o analista da Tendências Consultoria, Gian Barbosa, que mantém a projeção de IPCA de 4,2% em 2009.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, a alta no índice de novembro foi puxada por fatores pontuais e já esperados, como os aumentos em alguns itens do grupo dos alimentos. "Não vejo esse número como sendo uma prova de que estamos tendo uma aceleração da inflação. Acredito que continua a visão de que a inflação corrente não é um problema para o Banco Central", disse ele, que espera uma taxa de 4,35% para o IPCA anual.

O aumento na inflação de um mês para o outro também não mudou a projeção do economista da Rosenberg&Associados Francis Kinder para a inflação em 2009, que se mantém em 4,40%. Ele atribui a aceleração do IPCA à alta dos produtos alimentícios.

Em novembro, os alimentos registraram aumento de 0,58%, revertendo queda de 0,09% registrada em outubro. Os produtos alimentícios contribuíram, sozinhos, com 0,13 ponto porcentual, ou quase a metade da inflação do mês. A maior alta nesse grupo foi registrada na batata-inglesa, com aumento de 26,06%, seguida da cebola (11,43%) e da cenoura (5,74%). Eulina explica que esses produtos são muito influenciados por fatores sazonais e o clima adverso prejudicou a recente safra.

No caso do óleo de soja (4,43%), outra pressão importante sobre a taxa, ela atribui a alta ao aumento da demanda pelo produto, por causa da obrigatoriedade de aumento da mistura no biodiesel, de 3% para 5%, a partir de janeiro.

Outro produto cuja alta foi atribuída à maior demanda, no caso fora do grupo dos alimentos, é a passagem aérea, com reajuste de 18,03% no mês, que Eulina acredita ter relação com a proximidade da temporada de férias. Houve alta, também, no álcool combustível (4,61%) e na gasolina (0,85%). COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E FLAVIO LEONEL

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.