ALL reduz prejuízo no 4o tri; vê melhor volume industrial em 2013

A companhia de logística ALL reduziu prejuízo no quarto trimestre na comparação anual, apoiada por um aumento de volume de transporte ferroviário de commodities agrícolas, o que compensou queda no volume de bens industriais, e ajudada também por melhorias de produtividade no Brasil.

ROBERTA VILAS BOAS, Reuters

05 de março de 2013 | 15h14

Para o diretor de Relações com Investidores da ALL, Rodrigo Campos, o resultado do quarto trimestre foi positivo e o prejuízo ocorreu principalmente por questões sazonais, sendo que, para 2013, a empresa espera recuperação no volume industrial transportado, principalmente com a entrada em operação de novas fábricas.

"O que é positivo é que continuamos em uma tendência de crescimento em relação ao ano anterior. No Brasil tivemos um crescimento forte de volume", afirmou ele, em entrevista por telefone.

A empresa teve um prejuízo líquido de 20,5 milhões de reais no quarto trimestre, ante perdas de 32,5 milhões um ano antes. Expectativas de quatro analistas consultados pela Reuters para o balanço da ALL variavam entre resultado positivo de 10 milhões de reais a prejuízo de 44,5 milhões de reais.

No fechado do ano, a ALL teve lucro líquido de 237,3 milhões de reais, queda anual de 3,1 por cento.

O volume ferroviário da ALL no Brasil cresceu 7,2 por cento no quarto trimestre, beneficiado pelo aumento de 12,1 por cento no volume de commodities agrícolas que compensou parcialmente a redução de 6,7 por cento no volume de produtos industriais, em meio ao desempenho mais fraco deste setor no país.

O volume de produtos industriais foi afetado pela menor atividade no setor, mas a entrada em operação de novos projetos no fim do ano passado traz boas perspectivas para 2013, explicou Campos.

"No (segmento) industrial, há crescimento a partir de projetos. A (fábrica de celulose) da Eldorado, quando estiver a toda a capacidade, será responsável por 7 por cento do volume industrial da ALL", disse.

A fábrica da Eldorado, com capacidade para 1,5 milhão de toneladas, foi inaugurada no fim do ano passado, em Três Lagoas (MS).

Às 14h55, as ações da empresa caíam 1,52 por cento, a 9,73 reais, enquanto o Ibovespa exibia alta de 0,21 por cento.

ARGENTINA

Para Campos, o único ponto negativo dos resultados foram as operações na Argentina. "Mas lá, o ano inteiro foi ruim", disse, acrescentando que a quebra de safra prejudicou o mercado argentino.

Problemas climáticos no país vizinho impactaram a produção de soja, que caiu mais de 50 por cento em 2012 na comparação com 2011. Segundo a empresa, a maior parte da safra é exportada no segundo e terceiro trimestres, e, com a quebra, uma pequena parte ficou para o quarto trimestre.

O volume na ALL Argentina caiu 17,4 por cento em 2012 e 28,6 por cento nos últimos três meses do ano.

A ALL já afirmou anteriormente que planeja vender suas operações na Argentina e deixar de atuar no país.

EBITDA

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustada somou 332 milhões de reais, alta de 10,4 por cento ante o mesmo período do ano anterior. Mas a margem caiu de 40,5 para 39,3 por cento.

A ALL também informou que o yield no Brasil, indicador de preços de frete, cresceu 5,7 por cento no quarto trimestre na comparação anual, refletindo "o repasse de diesel e inflação tanto para os contratos take-or-pay como para o mercado spot".

Com isso, a receita líquida do quarto trimestre cresceu 13,7 por cento, a 844,3 milhões de reais.

Mas o custo de serviços prestados das operações ferroviárias, maior área de negócio da ALL, avançou 28,5 por cento no quarto trimestre, para 506,2 milhões de reais, refletindo uma expansão de 50 por cento no custo das operações argentinas, para 65,5 milhões de reais, e um aumento de 26 por cento nos custos no Brasil, diante de fatores como alta do diesel e de volume transportado maior.

A unidade Brado teve crescimento de 9,6 por cento no volume de contêineres no quarto trimestre, quanto teve forte crescimento nos corredores de Bitola Larga e Rio Grande, mas menor no volume do corredor do Mercosul, informou a ALL no balanço.

A receita da divisão cresceu 9,1 por cento no período, para 61,7 milhões de reais e o lucro passou de 1,5 milhão para 3,8 milhões de reais.

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