Aloysio Nunes será candidato a vice de Aécio e PSDB terá chapa puro-sangue

O senador paulista tucano Aloysio Nunes Ferreira foi escolhido pelo candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, para ser seu companheiro de chapa como candidato a vice-presidente, a primeira "puro-sangue" desde 1989. O anúncio foi feito pelo próprio Aécio nesta segunda-feira, último dia permitido pela Justiça eleitoral para formalização da chapa, após reunião da Executiva Nacional do PSDB em Brasília. O candidato tucano vinha mantendo suspense sobre quem escolheria para a vice. Além do senador paulista, foram cotados o ex-governador paulista José Serra, o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati, que deve concorrer ao Senado, e a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, que na semana passada era a favorita para ser escolhida.

MARIA CAROLINA MARCELLO, REUTERS

30 Junho 2014 | 15h38

Até mesmo o nome de Henrique Meirelles, ex-tucano e presidente do Banco Central durante os dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva(PT), chegou a ser ventilado. Mas como o PSD, partido ao qual Meirelles está filiado hoje, decidiu pelo apoio formal à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), essa opção se inviabilizou."As razões para a escolha de Aloysio, num momento em que nós tínhamos tantos outros nomes extremamente qualificados... não foram as conveniências da campanha, mas sim os interesses do Brasil que me levaram a essa decisão", disse o mineiro a jornalistas, ao anunciar sua decisão, comunicada na noite do domingo a Aloysio, líder da bancada no Senado. A escolha do senador tucano, que é próximo de José Serra, para companheiro de chapa deve garantir um peso maior para São Paulo, maior colégio eleitoral do país, na campanha do PSDB. Esta é a primeira vez que o presidenciável tucano não é paulista --caso de Mario Covas (1989), José Serra (2002 e 2010) e Geraldo Alckmin (2006)-- ou não tem sua base política no Estado --como Fernando Henrique Cardoso (eleito em 1994 e reeleito em 1998).

“O senador Aloysio soma, e muito, sob todos os aspectos, a essa caminhada como o senador mais votado da história do Brasil”, disse Aécio, também senador e presidente do PSDB. Também é a primeira vez, em 25 anos, que o PSDB apresenta uma chapa “puro-sangue”, com candidatos tucanos tanto para a Presidência da República quanto para a vice. Em 1989, a única vez antes que isso ocorreu, a chapa ao Planalto foi encabeçada por Mário Covas, tendo o senador Almir Gabriel como candidato a vice. Ex-membro do Partido Comunista Brasileiro, nos tempos da ilegalidade do PCB, Aloysio participou da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira contra a ditatura militar, e acabou se exilando no exterior quando soube que haveria um pedido de prisão preventiva contra ele. Na França, graduou-se em Economia Política e fez mestrado em Ciência Política pela Universidade de Paris. De volta do Brasil, pelo PMDB foi deputado estadual e vice-governador de São Paulo, eleito na chapa de Luiz Antônio Fleury Filho. Já filiado ao PSDB, foi deputado federal e ocupou dois ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso: Secretaria Geral da Presidência e Justiça. Em 2010 foi eleito senador. Aécio é no momento o principal adversário da presidente Dilma Rousseff, do PT, que busca a reeleição, reprisando a polarização entre tucanos e petistas existente desde a eleição de 1994. "UM SÓ OBJETIVO"Aécio aproveitou o evento para anunciar que o presidente do DEM e líder da bancada no Senado, José Agriino (RN), será o coordenador-geral de sua campanha, num movimento que dá algum espaço ao partido que emprestou ao PSDB candidatos a vice em quatro eleições presidenciais, incluindo aí o tempo em que era PFL.

O mineiro anunciou também os partidos que integram a coligação com o PSDB --DEM, SDD, PTB, PTC, PTN, PMN e PTdoB--, dizendo que não ofereceu cargos ou participação na campanha para atrair outras legendas que acabaram fechando com a candidatura petista. Havia expectativa de que partidos como o PR e o PP, que apresentavam divisões internas, não fechassem apoio a Dilma, assim como o PSD. As três siglas decidiram pelo apoio formal à candidata do PT. Já o PTB anunciou na última hora que não apoiaria a candidatura a reeleição da presidente e entrou para a coligação tucana. “A partir de agora somos um só grupo político com um só objetivo, que é o início de um novo ciclo de desenvolvimento, de ética e de esperança por que clamam todos os brasileiros", disse Aécio, afirmando ter palanques “estruturados” em diversos Estados. “Estamos largando muito bem.”

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