Alta do milho evitará queda da 2a safra, diz Coamo

A Coamo Agroindustrial Cooperativa, a maior organização de agricultores da América Latina, celebra na sexta-feira em Campo Mourão (PR) seus 40 anos de fundação completados neste mês. E tem diversos motivos para comemorar.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

25 de novembro de 2010 | 17h27

Os preços agrícolas estão melhorando, o tempo tem sido benéfico apesar da ameaça do La Niña e a produção em 2010/11, caso as chuvas não faltem durante o verão, pode permitir que a Coamo repita no próximo ano o recorde de recebimento de grãos alcançado em 2010, de cerca de 5,5 milhões de toneladas.

A recente alta das cotações dos grãos, especialmente do milho, que teve preços abaixo do mínimo fixado pelo governo em junho/julho, trouxe mais ânimo aos produtores da cooperativa, que atua principalmente no Paraná, mas que também tem braços em Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

"A previsão, enquanto estava aquele preço, era de pessimismo. O plantio previsto para a safrinha era 424 (mil hectares), e isso mudou... Vai aumentar bastante, deve manter os 518 mil hectares semeados este ano", afirmou José Aroldo Gallassini, um dos fundadores da Coamo em 28 de novembro de 1970 e presidente da instituição há 35 anos.

A intenção de plantio de milho segunda safra da Coamo mostra o que pode ser uma tendência de outros agricultores, já que a área do cereal na primeira safra foi reduzida consideravelmente, com agricultores dedicando mais terras à soja.

O preço do milho pago ao produtor subiu mais de 50 por cento na média do Paraná, para cerca de 20 reais/saca, em relação aos menores valores médios do ano, segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado. A soja, na esteira dos melhores valores externos que em parte também impulsionaram as cotações internas do cereal, subiu cerca de 40 por cento ante o menor valor registrado no primeiro semestre, para 43,41 reais/saca.

Esses melhores preços no segundo semestre permitirão, segundo Gallassini, que a cooperativa evite queda no faturamento em 2010 em relação a 2009, que antes era esperado.

Agora o presidente da Coamo afirma que a receita recorde de 4,67 bilhões de reais no ano passado será superada. "Vai ser maior, embora não tenha previsão exata", disse ele, lembrando que a cooperativa, apesar do volume recorde recebido em 2010, comercializou a maior parte antes da alta de preços.

CLIMA 2010/11

Gallassini, um catarinense de Brusque que organizou as bases da Coamo após o fim da exploração da madeira da araucária na década de 70 na região centro-oeste do Paraná, atualmente vive uma apreensão com o clima jamais imaginada, uma vez que 2010/11 é período de La Niña, que geralmente traz seca para o Sul do Brasil no verão.

Ele espera que não se confirme a tendência climática, diante do bom cenário de preços agrícolas e do crescimento da área de soja na área de atuação da cooperativa, para 1,6 milhão de hectares.

A oleaginosa é a principal cultura da Coamo, enquanto o milho primeira safra perdeu pouco mais de 10 mil hectares de área (para 153 mil hectares), transferidos para a soja.

"Quando a gente não sabia de clima, a gente vivia feliz, agora vamos amargar 90 dias pensando se vai dar seca ou não... Mas até agora está chovendo que nem um relógio", declarou ele sobre as boas condições das lavouras recém-plantadas.

O recebimento de soja da Coamo superou 3 milhões de toneladas em 2010, o de milho somou 1,44 milhão de toneladas, e o de trigo 600 mil toneladas.

O trigo, aliás, deverá perder espaço na área da Coamo em 2011, diante de problemas na comercialização após a colheita de uma boa safra, disse Gallassini sem fazer previsões. "A tendência seria diminuir, os moinhos não estão comprando."

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