Aluno da rede pública com interesse em exatas terá bolsa

O Ministério da Educação vai pagar bolsas de R$ 150 para estudantes do ensino médio da escolas públicas que tiverem interesse nas áreas de ciências exatas e biológicas. Batizado de "Quero ser cientista, Quero ser Professor", o programa, uma espécie de iniciação científica na educação básica, pretende despertar o interesse dos jovens por matemática, física, química e biologia. A ideia é aumentar o número de universitários nessas áreas, consideradas as mais carentes de professores.

LISANDRA PARAGUASSU, Agência Estado

18 de setembro de 2013 | 18h05

O programa deve começar a partir de fevereiro de 2014 e a intenção do Ministério da Educação é ter 30 mil bolsistas no primeiro ano. A meta é 100 mil nos anos subsequentes. Os estudantes selecionados teriam uma jornada extra na escola, participando de aulas especiais e projetos de pesquisa supervisionados por professores, que também receberão uma bolsa. Universidades federais farão uma tutoria com o objetivo de supervisionar o programa.

De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, existem hoje estudantes de escolas públicas com excelente desempenho na área de exatas, mas é preciso incentivo para que mantenham o interesse. "Se você não estimular, se ele não tiver motivação, ele pode depois perder esse interesse. O Brasil precisa de mais profissionais nessas área", afirmou.

De acordo com dados do ministério, apenas 3% dos estudantes universitários do País estão nessas quatro disciplinas, e nem todos se transformam em professores. No total, a carência de docentes em áreas de química, física, biologia e matemática chega a 170 mil docentes.

O incentivo a estudantes que se interessam pela área de Exatas é apenas parte de uma série de mudanças que o MEC pretendia anunciar em junho, em uma reforma mais abrangente no ensino médio. No entanto, os projetos estão saindo aos poucos - a maioria não foi divulgada ainda.

Entre as propostas estão, além da bolsa, tornar o currículo do Ensino Médio, hoje extremamente inchado, mais flexível. A intenção é que tenha uma carga horária básica mínima e uma parte em que o estudante possa se dedicar mais às disciplinas que o interessem mais e sirvam de base para uma futura formação profissional. A reforma também deverá dividir o currículo em um formato mais semelhante ao que hoje é cobrado no Exame Nacional do Ensino Médio, com conteúdos que abrangem mais de uma disciplina.

A reforma do Ensino Médio vem sendo discutida há mais de um ano pelo MEC. Até hoje, esse foi o nível educacional que nunca reagiu a nenhum dos programas propostos pelo governo federal. Foram ampliados os programas de merenda escolar, livro didático e transporte escolar, além de ser feito um enorme investimento na educação profissional para permitir a formação simultânea. Até agora o resultado foi quase nulo.

O ensino médio tem três vezes o índice de evasão do fundamental: 10% dos adolescentes abandonam a escola. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que mede a qualidade da educação, cresceu apenas 0,1 ponto em 2011 (último dado disponível) e ainda regrediu em nove Estados. A reprovação chega a 14% dos estudantes.

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