Alunos boicotam exame do Cremesp

Estudantes de Medicina da Unicamp organizaram protesto contra a avaliação

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h05

CAMPINAS - Com camisetas laranja com a opção B assinalada e os dizeres "Por uma avaliação com qualidade", formandos de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) boicotaram ontem o exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Eles são contra a prova como forma de avaliar o estudante e organizaram um manifesto em que a maioria dos 110 alunos marcou a letra B, de "boicote", para todas as questões.

Neste ano, a participação no exame passou a ser pré-requisito para os estudantes que desejam atuar no Estado após a formatura. Ao todo, o exame recebeu 2.924 inscrições.

"Respondemos B e na prova explicamos nossos pontos contrários e o que propomos. Esse exame optativo não avalia os problemas da educação e da saúde no país", afirmou um dos coordenadores do movimento de boicote da Unicamp, Fabrício Donizete da Costa, que fez a prova no Colégio Progresso.

A diretora de interior do Cremesp, Denise Barbosa, disse que não haverá punição aos que participaram do boicote - contrariando declarações dadas pelo presidente do conselho na sexta-feira. "Passamos em todas as salas para avisar que não haverá caráter punitivo para quem responder a prova", disse Denise, dando a entender que só haveria problema se a prova fosse entregue em branco ou anulada. Segundo ela, não será divulgado quantos alunos aderiram ao boicote porque a prova é sigilosa.

Cerca de 50 estudantes realizaram uma manifestação que começou por volta das 8h, uma hora antes do início da prova. "O edital nos dá a segurança jurídica de que nada pode acontecer profissionalmente com quem aderir ao boicote", afirmou Costa. Ainda assim, a estudante Thais Machado, de 24 anos, estimou que 30% a 40% dos formandos poderiam desistir do movimento por medo de represálias.

Em Taubaté, onde 129 formandos fizeram o exame, estudantes consideraram a prova cansativa. "São 120 questões; quando chega na 80 você já não consegue mais prestar atenção", disse Nathália Pimentel, de 24 anos. / COLABOROU GERSON MONTEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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