Alunos da Unifesp encerram greve

Estudantes do câmpus de Guarulhos estavam parados desde março por melhorias na infraestrutura; calendário de reposição ameaça novas turmas

CARLOS LORDELO / ESTADÃO.EDU, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h08

Os estudantes do câmpus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) decidiram encerrar uma greve que durava cinco meses. O retorno dos alunos às aulas foi aprovado na noite de anteontem, durante assembleia, por 334 votos a favor e 195 contra - a unidade tem cerca de 3 mil alunos. Os estudantes cobravam melhorias na infraestrutura do câmpus e na assistência estudantil.

Ainda não há previsão para a volta definitiva às atividades, uma vez que os próprios professores também encerraram a greve na semana passada. Os alunos iniciaram a paralisação no dia 22 de março, pouco depois do início do primeiro semestre letivo. A maioria dos alunos teve cerca de duas semanas de aula.

O longo período de paralisação pode comprometer a entrada de novos calouros no câmpus, no próximo ano. O reitor da Unifesp, Walter Albertoni, já dissera ao Estado que a paralisação poderia até cancelar o próximo vestibular.

O câmpus de Guarulhos abriga a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) e oferece seis cursos de graduação, todos da área de Humanas. A unidade é a maior da Unifesp, que hoje conta com seis câmpus. Criado em 2007, é também o que mais sofre com problemas de infraestrutura.

Alunos e professores esperam há anos pela construção do prédio principal - os envelopes do edital para a construção do prédio ocorrerá na segunda-feira, dia 27 (mais informações nesta página). Por falta de espaço, várias aulas são dadas em uma escola municipal vizinha ao câmpus. Já há o receio que não haja condições para abrigar novos alunos.

Reivindicações. Para o aluno de Filosofia Michael Melchiori, de 25 anos, a greve terminou por questões internas entre alunos e professores. "Os problemas de estrutura e de transporte público são gravíssimos. O câmpus é abandonado", afirma Melchiori. De acordo com ele, as salas de aula ficam em frente ao local de construção do novo prédio. "Vai ficar inviável ter aula."

A universidade quer evitar que os alunos convivam com a obra e busca um prédio provisório para alugar enquanto o novo prédio será construído. A reitoria diz que está aguardando a posição de "muitas imobiliárias" sobre novas opções de prédios para locação durante as obras, que têm duração prevista de 18 meses. Em relação ao transporte, a Unifesp vai investir R$ 140 mil mensais na operação de uma linha de ônibus entre o Metrô Itaquera e o câmpus.

Ainda segundo Melchiori, a pauta do movimento grevista está sendo respondida. "O MEC declarou de utilidade pública um terreno próximo ao câmpus, para construir a moradia universitária e a creche." A nova área, ainda em processo de desapropriação, no entanto, não deve abrigar salas de aula.

Volta às aulas. Segundo o diretor acadêmico do câmpus de Guarulhos, Marcos Cezar de Freitas, a Congregação da EFLCH se reuniu anteontem para iniciar o planejamento da reposição das aulas. O órgão tem até a próxima sexta-feira, dia 31, para apresentar "cenários possíveis". "Tudo que foi parado será reposto, desde o início da greve dos alunos", diz. Ele afirma ser "impossível" responder neste momento se o ingresso de novas turmas no primeiro semestre de 2013 está comprometido.

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