Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Alunos da USP apoiam greve da limpeza

Protesto de funcionários terceirizados com adesão de estudantes interrompe aulas

Mariana Mandelli, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2011 | 00h00

Um protesto dos funcionários terceirizados da limpeza, com a adesão de estudantes, interrompeu as aulas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), na tarde de ontem. Além do ato, os funcionários bloquearam a entrada do prédio da reitoria.

Cerca de 300 trabalhadores terceirizados, funcionários da empresa Limpadora União, estão paralisados desde sexta-feira. Eles afirmam não ter recebido o salário de março.

Durante o protesto de ontem, que durou cerca de duas horas, estudantes e funcionários percorreram os corredores da FFLCH e entraram nas aulas dos cursos de Ciências Sociais, Filosofia, História e Geografia para explicar aos alunos e professores a situação dos terceirizados. Muito lixo foi espalhado pelo chão da FFLCH durante o ato. O cheiro estava forte e havia papel higiênico usado no chão.

"Eu joguei as coisas pelo corredor, mas logo me arrependi", disse uma funcionária que limpa o Instituto de Física. "Mas é a única forma de chamar a atenção."

Na segunda-feira, as aulas da FFLCH foram canceladas por conta da sujeira - a diretoria da unidade emitiu um comunicado afirmando que não havia condições de higiene mínimas para o funcionamento do prédio. Ontem, apenas no período da manhã houve suspensão das aulas.

A USP contratou, em caráter emergencial, um serviço de limpeza para as unidades onde a situação estava mais crítica. Porém, ainda havia lixo espalhado pelo câmpus. A reportagem encontrou latas reviradas e restos de comida e papel espalhados pelo chão no Instituto de Física e nos arredores da Escola Politécnica. Na Faculdade de Ciências Farmacêuticas e nos institutos de Química e Geociências a situação era normal.

Divergências. Em um comunicado emitido anteontem, a Coordenadoria de Administração Geral (Codage) da USP afirmou que, em reunião com representantes dos empregados, ficou decidido que "a universidade só poderia creditar em conta judicial o valor retido pela prestação de serviço", já que a União está inadimplente com o poder público e a USP não pode remunerar empresas nessa condição. Ainda segundo o texto, a USP efetuou o pagamento em juízo na segunda-feira, na 8.ª Vara da Fazenda Pública. A universidade rescindirá o contrato com a empresa,

Já a União afirmou, em nota, que tentou contatar por dias a reitoria, sem sucesso, para evitar "maiores transtornos". Também diz que nunca atrasou os salários durante os cinco anos de contrato. O texto ainda afirma que a União vem recebendo, nos últimos meses, apenas 70% das verbas devidas pela instituição e que não recebeu o reajuste de 15%. A União ainda lamenta que uma universidade "tão renomada" quanto a USP descumpra suas obrigações contratuais e informa que conseguiu na Justiça o direito de continuar recebendo pelos serviços prestados.

Contratos

Segundo o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado de São Paulo, a União ganhou a licitação, há 5 anos, com um preço inferior ao estipulado pelo governo estadual.

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