Alunos de Medicina prometem boicotar exame obrigatório

Estudantes de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) prometem boicotar o exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) que avalia a qualidade do ensino médico. Alunos de outras instituições - Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - manifestaram apoio ao ato.

DAVI LIRA, Agência Estado

24 de outubro de 2012 | 10h06

O boicote está sendo organizado em resposta à obrigatoriedade da prova a partir deste ano - o exame foi criado em 2005 e tinha caráter optativo. O Cremesp modificou as regras e agora condiciona a concessão do registro profissional de médico à realização do exame ao fim do 6.º ano do curso. Os participantes deverão assinar a lista de presença e não poderão deixar a prova em branco. O desempenho não será levado em conta.

A mobilização pelo boicote está mais concentrada na faculdade de Medicina da Unicamp. Em setembro, os alunos lançaram um abaixo-assinado, que já conta com mais de 2 mil assinaturas, contra a realização do exame.

"Queremos mostrar à sociedade que essa prova não vai melhorar a educação e a saúde no País. Defendemos uma avaliação continuada, para que os problemas sejam corrigidos ao longo do tempo, e não uma feita apenas no final do curso", diz André Citroni, coordenador de Educação do Centro Acadêmico Adolfo Lutz, que representa os alunos de Medicina da Unicamp. Ontem, o Ministério da Saúde manifestou a intenção de criar um exame mais próximo desse formato.

As lideranças estudantis da Unicamp recomendam que os alunos estejam presentes no dia da prova e marquem, em todas as questões, a alternativa "B", de boicote. A mesma sugestão foi feita pelos estudantes de Marília. "Estamos tentando convencer todos os estudantes do 6.º ano da importância do boicote. O problema é que o Cremesp não deixa muito claro se o desempenho na prova realmente não vai ter algum impacto no futuro", diz Caio Del Arco, do 3.º ano, coordenador-geral dos estudantes da Famema.

O Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, entidade que representa os alunos de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), decidiu não boicotar o exame.

Inscrições

A movimentação dos estudantes de Medicina de algumas faculdade médicas de São Paulo contra o exame do Cremesp não impactou no número de inscritos para a prova. Encerradas anteontem, as inscrições para o exame ultrapassaram 3,2 mil participantes. Em 2011 - quando a avaliação não era obrigatória -, 418 estudantes haviam se inscrito.

"Provavelmente, só não se inscreveu quem está fora do País ou quem pediu autorização para fazer depois", avalia um dos coordenadores do exame do Cremesp, Bráulio Luna Filho. Segundo ele, os alunos não têm argumentação para não realizar a prova. "Esse tipo de prova é feita no mundo inteiro. O que é mais lamentável é que, em sua maioria, são alunos de instituições públicas com condição privilegiada que estão se recusando a serem avaliados", diz Luna Filho.

De acordo com o Cremesp, os resultados individuais e as notas obtidas serão confidenciais, revelados exclusivamente ao participante. As escolas de Medicina terão acesso a um relatório genérico de seus alunos.

Favorável

Em nota, a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp afirmou que acha "interessante a participação dos alunos para ajudar a reconstruí-lo (o exame)". O Conselho Federal de Medicina (CFM) também não se coloca contra a realização do exame, "mas aguardamos o desenrolar do que é feito hoje apenas em São Paulo para melhor analisá-lo como instrumento de avaliação", afirma Desiré Callegari, primeiro-secretário do CFM. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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